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Natura e Nestlé renovam seus negócios a partir da sustentabilidade

CIOs das duas companhias detalharam iniciativas em transformação digital que também se preocupam com o meio ambiente

Carla Matsu

22/04/2019 às 9h26

Foto: Photo Gama

A forma como consumimos produtos e serviços deixa pegadas profundas no meio ambiente. A equação da produção, consumo e lixo já não fecha mais. Segundo levantamento da ONU, a humanidade produz mais de 2 bilhões de toneladas de lixo por ano. Para acomodar os 7,6 bilhões de moradores do mundo, suprir o uso de recursos e absorver o lixo gerado, seria necessário outro planeta Terra.

O avanço de tecnologias tem se orquestrado para também mudar a forma como produzimos, uma que possa ser mais eficiente e ao mesmo tempo mais verde. Para Fernando Lemos, CIO da Natura, os preceitos Sociedade 5.0, que busca colocar o ser humano no centro da inovação tecnológica, deve servir como revisão dos métodos das empresas.

“Estamos vivendo em um momento que separa o humano da tecnologia. O que propomos na sociedade 5.0 é a sustentabilidade como fim”, ressaltou Lemos durante sua participação no IT Forum 2019, encontro realizado pela IT Mídia, na Praia do Forte (BA), na última semana. Lemos e Ricardo Ribeiro, CIO da Nestlé, discutiram como a transformação digital pode ser a oportunidade para as empresas se tornarem mais sustentáveis e ofertarem produtos ecologicamente corretos.

Prestes a completar 50 anos de história, a Natura, que surgiu como uma empresa de revenda de produtos de beleza por meio de consultoras, se expandiu e tem reinventado a forma como entrega seus produtos. Além disso, comprou duas grandes empresas do setor de beleza e cosméticos a Aesop e a The Body Shop. Mesmo com tantas mudanças, Lemos lembra que o coração da empresa não mudou. “Trabalhamos com o conceito de triple bottom line [que equilibra o Social, Ambiental, Financeiro]. Lucro por lucro é o que a economia espera. O que o mundo espera é o equilíbrio dessas três coisas”, pontuou.

Mas com mais de 6 mil colaboradores em nove países e 1,7 milhão de consultoras Natura no mundo, entregar tais valores exige um trabalho constante de inovação. Para entregar isso, a Natura está, segundo Lemos, passando por uma reestruturação organizacional, que inclui trabalhar com Metodologia Agile, com 50 times ágeis que conseguiram economizar cerca de 14 meses para lançar novos produtos.

A aproximação com startups também tem rendido bons frutos. A companhia lançou um programa de aceleração de startups e identificou 20 das empresas cujas soluções têm sinergia com os negócios da Natura. “Precisamos de pessoas com ideias diferentes para implementar a sustentabilidade”, disse Lemos.

Fernando Lemos, CIO da Natura

A companhia também tem implantado uma solução em blockchain para dar mais transparência ao processo de produção dos ativos usados em seus produtos. A ideia é conseguir rastrear toda a cadeia produtiva e as matérias primas utilizadas. Nesse tipo de adoção, a tecnologia vai ajudar a compartilhar a responsabilidade entre as partes do negócio.

O modelo de negócios da Natura, com revendedoras oficiais, pouco mudou ao longa da trajetória da empresa. E mesmo sob o chapéu da transformação digital, a Natura não se afastou dessa relação, lembrou o CIO. O que a empresa tem feito é entregar ferramentas digitais para as revendedoras melhorarem suas vendas e seu relacionamento com seus clientes.

Segundo Lemos, toda nova consultora da Natura terá presença digital desde o início e serão educadas para melhor explorar tais ferramentas. “Todo mundo falava que tínhamos de mudar o modelo de venda direta. Insistimos. Precisamos manter o que nos trouxe até aqui, o que precisamos é levar a consultora para o futuro com a gente, para que ela possa fazer mais e de forma mais simples”, reforçou Lemos.

A Natura também se prepara para lançar uma conta bancária digital para as consultoras. Em uma parceria com o banco Santander Brasil, a empresa oferecerá uma conta bancária digital. Por meio do app, as revendedoras poderão realizar saques, depósitos, transferências, contratação de microcrédito e aquisição de maquinetas diretamente de seus smartphones.

Renovar com sustentabilidade

A Nestlé tem concentrado esforços e investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento para repensar desde a logística a produção de chocolates, biscoitos e outros produtos do catálogo da companhia. Em um ano, foram investidos cerca de 2 bilhões de francos suíços em P&D que visam renovar produtos e serviços que mudem e melhorem a experiência do usuário.

"A Nestlé deixou de ser uma companhia final, para se tornar uma companhia múltipla. Como fazemos todas essas mudanças para entregar a experiência digital que o consumidor quer hoje?”, questionou Ribeiro, CIO da Nestlé.

As apostas se desdobram em tecnologia, mas entregam valor em sustentabilidade para toda a cadeia dos negócios da fabricante. Ribeiro lembra que o consumidor tem mudado para exigir além da qualidade dos produtos, toda uma conformidade em valores sociais e sustentáveis. Esse tipo de consciência também deve tocar o compromisso das companhias.

Recentemente, a fabricante anunciou que investirá R$ 680 milhões em tecnologia e inovação no setor do agronegócio no estado de São Paulo até 2020. Um protocolo de intenções com o governo estadual foi assinado para aumentar a produção de leite orgânico, desenvolver projetos de inovação ligados ao cultivo de café e criar embalagens sustentáveis. Com a parceria, a Nestlé gerará 26 mil vagas de emprego.

Outro compromisso anunciado pela Nestlé foi o de eliminar plástico não reciclável das suas embalagens até 2025, incluindo aí a retirada de canudos plásticos de seus produtos até 2020. Ainda no setor de embalagens, a companhia tem firmado parcerias com apps de delivery para entregar as cápsulas da Nespresso em veículos que não emitem poluentes, como bikes e recuperá-las da mesma forma para reciclagem.

"Uma das palavras que mais escutamos aqui é colaboração. Olhamos para o nosso umbigo por muito tempo, mas agora a colaboração deve ser entregue na cadeia toda”, ressaltou Ribeiro. "A ideia de que você é o que come, o que faz, o que pensa e o que consome deve refletir isso”, concluiu.

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