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O futuro dos dispositivos móveis passa pela Open C-RAN

Com a chegada das redes 5G, veremos maior concorrência entre os fornecedores e entre as operadoras

Colin Bryce*

02/06/2019 às 10h17

Foto: Shutterstock

Com a preparação para a tecnologia 5G e seus serviços, as operadoras de rede móveis aproveitam a oportunidade para evoluir a arquitetura de suas redes, com vários objetivos em mente, como reduzir custos, aprimorar a eficácia de implementação, flexibilidade de serviço e velocidade. Também buscam a abertura de mercado à inovação na oferta de novos usos e novas fontes de receita. Com a mudança para uma rede C-RAN aberta (Open C-RAN), as operadoras podem atingir esses objetivos.

Desconstrução da rede

Uma estação base para redes móveis consiste em unidades de rádio remotas (RRUs), unidades de banda base (BBUs), links de ‘fronthaul’ para conectar as RRUs às BBUs e links de ‘backhaul’ para conectar à rede de acesso por rádio com a rede principal. Cada estação de base é um nó de acesso discreto na rede, com unidades de energia e de refrigeração para suportar o equipamento.

Tradicionalmente, as operadoras têm confiado em um grupo de fabricantes para o fornecimento de RRUs e BBUs, e uma vez selecionado um fornecedor, estão “presos” a ele, já que os equipamentos não costumam oferecer interoperabilidade com produtos de outras fabricantes. Nesse ambiente de mercado, os preços são relativamente altos, pois quando um fornecedor é escolhido, não há mais concorrência.

Uma Open C-RAN fundamentalmente muda essa equação centralizando muito da funcionalidade de BBU. Isso pode ser atingido ao dividir os recursos de BBU em unidades centrais (que realizam o processamento principal que não é em tempo real) e unidades distribuídas que realizam a maior parte do processamento em tempo real do link de rádio. A divisão funcional exata entre as unidades tem sido objeto de muito debate no processo de padronização do 5G.

No entanto, esse processo será relativamente direto para virtualizar a funcionalidade das unidades centrais e assim poder rodar softwares em comum.

Mais tarde, com a possível utilização de aceleradores de hardware, até a funcionalidade de unidade distribuída poderá ser virtualizada. Além disso, a Open C-RAN impulsiona o uso de softwares com base nos padrões de mercado, o que facilita em muito a questão da compatibilidade. Com uma arquitetura Open C-RAN, as operadoras estarão livres para selecionar seus próprios servidores em uma ampla variedade de fornecedores, para desenvolver ou adquirir o software de BBU desenvolvido em linguagens padrão.

As perspectivas de adoção

Nos próximos três a quatro anos, as operadoras se concentrarão no fornecimento de banda larga móvel aprimorada sobre a infraestrutura 5G. Os aumentos massivos de 5G na taxa de transferência (até 10 Gbps por usuário) e capacidade estabelecerão as bases para futuros aprimoramentos, como grande número de dispositivos conectados (internet das coisas, IoT), além de conexões ultra confiáveis e de latência ultra baixa que permitirão novas aplicações, como cirurgia remota e carros autônomos, bem como muitas aplicações industriais.

As implementações começaram em 2018 com redes sem fio 5G de banda larga fixa, que complementam as conexões de fibra residencial ou para empresas, e logo evoluirão para englobar as conexões móveis.

Essa transição, porém, terá seus percalços. Uma nova safra de fornecedores deve surgir, e eles devem comercializar não apenas soluções virtualizadas de BBU, mas também serviços como integração e testes de regressão, que hoje estão incluídos nas ofertas dos principais fornecedores de equipamentos móveis. Além disso, os links de ‘fronthaul’ e ‘backhaul’ entre as BBUs e RRUs virtualizadas nos cell sites precisarão ser atualizados para fibra para o fornecimento correto da largura de banda necessária.

Agora, vejamos como a arquitetura Open C-RAN ajudará as operadoras a atingir seus objetivos básicos.

Redução de custos

Ao virtualizar as funcionalidades de BBU em um escritório central, as operadoras podem reduzir significativamente os custos de equipamentos (usando um servidor 'white box' em vez de um equipamento de rede proprietário), reduzir os custos de manutenção (as BBUs são centralizadas, assim a operadora reduz os custos com ‘cell sites’) e baixar os gastos operacionais (corte ou eliminação de refrigeração e custos de energia nos ‘cell sites’).

Implementação e flexibilidade de serviço

Ao virtualizar as BBUs, as operadoras têm a flexibilidade de implantá-las em qualquer lugar. Em alguns casos, isso pode ocorrer em um escritório central e, em outros, em data centers regionais ou de borda. Os ‘edge’ data centers podem ajudar as operadoras a reduzir a latência para permitir futuros aplicativos que exigirão conexões altamente confiáveis e de baixa latência. A mudança para uma arquitetura aberta também possibilita o desenvolvimento de seus próprios serviços com o uso de hardware e software padrão. Serviços como redes definidas por software em uma rede de área ampla ou VPNs ajudam a melhorar a receita média por usuário, reduzir a evasão e acelerar o retorno do investimento da nova infraestrutura.

A C-RAN também ajuda a melhorar a flexibilidade das operações de rede: as unidades C-RAN e ‘baseband’ virtualizadas serão semelhantes a mini data centers e, com isso, as operadoras poderão aumentar a capacidade para atender diferentes grupos de assinantes. Essa flexibilidade também ajuda a minimizar a interferência, coordenando a transmissão entre vários ‘cell sites’.

Com a implementação das redes 5G, veremos mais concorrência entre os fornecedores e entre as operadoras. No entanto, a rede será mais eficiente e as operadoras ganharão mais autonomia e flexibilidade na forma de construir suas redes e oferecer serviços. O Open C-RAN é mais que uma atualização; é uma plataforma para uma nova maneira de fazer negócios, que gerará novas receitas e fará clientes mais felizes.

*Colin Bryce é diretor técnico da área de vendas CommScope, sendo responsável por oferecer suporte para a comercialização de produtos da área wireless da companhia

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