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O que o Uber (e qualquer empresa) pode aprender com a expansão global do Airbnb

Déborah Oliveira

08/07/2015 às 11h18

O que o Uber (e qualquer empresa) pode aprender com a expansão global do Airbnb
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Na última semana, o serviço de compartilhamento de hospedagem Airbnb tinha mais de 40 mil anúncios apenas em Paris, tornando a capital francesa o destino mais popular da empresa para viajantes que procuram alugar um quarto ou um apartamento inteiro.

Na mesma cidade, o Uber via-se em apuros. Milhares de motoristas de táxis parisienses tomaram as ruas para protestar contra o UberPop, serviço de baixo custo da empresa semelhante ao UberX nos Estados Unidos.

Políticos franceses denunciaram a companhia por desafiar as leis de transporte do país. E dois dos principais executivos da Uber na França foram detidos pela polícia acusados de operar um negócio de táxi ilegal. Na sexta-feira, a startup decidiu suspender o UberPop em todo o país.

Uber e Airbnb são semelhantes em muitos aspectos. Ambos nascidos em San Francisco, nos Estados Unidos, eles são agora dois dos maiores operadores da chamada 'economia on demand', na qual os serviços estão disponíveis ao toque de um botão do smartphone. Ambos são conduzidos com o dinheiro dos investidores e estão usando o montante para expandir rapidamente seus negócios em todo o mundo.

No entanto, os caminhos totalmente diferentes trilhados na França apontam diferenças em suas estratégias. Desde que começou em 2009, o Uber, que opera em 300 cidades em quase 60 países e está avaliado em US$ 40 bilhões, entrou cidade após cidade, na Europa e em outros lugares, com uma atitude em grande parte, ‘me pegue se puder’.

Seu posicionamento, considerado agressivo por alguns no mercado, colocou o Uber em desacordo com os reguladores em muitas das cidades que são cruciais para as ambições globais da empresa. E pensar em regulamentação é fundamental em startups, disse ao jornal The New York Times, o líder da prática automotiva do Gartner, Thilo Kozlowski.

O Airbnb também não passou incólume pelos reguladores. A companhia tem enfrentado pressões significativas em cidades norte-americanas como Nova York, onde alguns políticos têm argumentado que as rendas do Airbnb poderiam reduzir a quantidade de habitação no longo prazo na cidade.

E no ano passado, o Airbnb foi multado na Europa pela primeira vez por violar uma lei na região da Catalunha na Espanha que proíbe alugar quartos individuais para fins de turismo. O Airbnb está apelando da multa de aproximadamente US$ 33 mil. Mas, em geral, a abordagem da Airbnb tem sido trabalhar com os reguladores, não contra eles.

Inicialmente, o Airbnb tinha contato limitado com os reguladores e poucos entendiam seu negócio. Mas em 2012, logo depois que os negócios em Paris começaram a crescer rapidamente, a companhia abriu um escritório na cidade e começou a falar regularmente com as autoridades locais. Eles continuaram a fazê-lo em 2013, quando a nova legislação habitação estava sendo debatida.

Agora, para reprimir 'alojamentos ilegais', uma equipe de investigadores em Paris realiza regularmente inspeções, com multas de até US$ 28 mil para as pessoas que infringem a lei, regra que suporta o Airbnb. Além disso, no início de 2016, a empresa vai começar a recolher um imposto turístico de seus usuários em nome das autoridades de Paris, tornando a capital francesa a segunda cidade na Europa depois de Amsterdam a oferecer esse serviço.

Essa abordagem com os reguladores é "sobre encontrar parceiros nos governos que entendem a economia compartilhada", disse ao jornal Patrick Robinson, diretor de políticas públicas na Europa do Airbnb.

Novos tempos
O Uber começou a operar na França no final de 2011 e a empresa diz que inicialmente achou difícil marcar reuniões com as autoridades francesas. Dois anos mais tarde, os legisladores estavam tentando colocar limites sobre o serviço, propondo novas regras que obrigam serviços como o Uber a esperar pelo menos 15 minutos antes de pegar novos passageiros, dando aos taxistas tradicionais uma 'vantagem'.

No ano passado, os executivos da empresa começaram a ter reuniões regulares com cada vez mais legisladores franceses, parte de um esforço maior da empresa para melhor envolver reguladores em suas estratégias.

De fato, nos últimos meses, o Uber tem mostrado estar mais disposto a se envolver com os legisladores. Em uma conferência em janeiro com a presença de muitos funcionários europeus em Munique, Travis Kalanick, presidente-executivo da empresa, disse que Uber queria encontrar maneiras de operar dentro da lei em toda a União Europeia, composta por 28 membros. Ao permitir que Uber possa operar na região, Kalanick argumentou que a companhia poderia criar até 50 mil novos postos de trabalho para os motoristas.

"Qualquer governo pode fechar o seu negócio, então você tem de estar disposto a jogar o jogo de regulamentação", disse ao jornal Gerald R. Faulhaber, professor emérito de economia de negócios e políticas públicas da Wharton School da Universidade da Pensilvânia. "Você precisa trabalhar com os reguladores”, finalizou.

E, você, qual acha que será o próximo capítulo da história da economia compartilhada?

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