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O que realmente está por trás da alta taxa de turnover no Brasil?

No Brasil, a taxa de turnover que mede a rotatividade dos profissionais nas empresas é de 82%.

Thaís Lima*

26/06/2019 às 9h39

Foto: Shutterstock

A constante mudança no quadro de funcionários pode trazer prejuízos às organizações. Mas como explicar os motivos dessa grande rotatividade? A culpa é do gestor ou do empregado? Quais medidas adotar para aumentar a retenção?

O que realmente está por de trás da taxa de turnover

82%, sim essa é a taxa de turnover no Brasil segundo dados publicados pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) e pela Robert Half.

Mas o que isso significa exatamente?

Significa que um empresa, na média, troca quase que a totalidade dos seus funcionários dentro de um determinado período.

Você já parou para pensar no impacto disto?

Processos, históricos e tanta coisas sendo perdidas em uma velocidade que chega a ser assustadora.

Mas a pergunta que não quer calar é: de quem é culpa?

Sim, não adianta a primeira coisa que a gente faz é realmente procurar responsáveis, contudo, está exatamente aí o problema, pois ao procurar culpados esquecemos de ir na raiz do problema. No fato gerador dessas estatísticas tão alarmantes. Por isso, ao invés de apontar culpados eu quero trazer aqui reflexões sobre os papeis e responsabilidades de gestores e empregados.

O papel de um gestor vai muito além de controlar o ponto e passar demandas. Ser gestor é compreender o modo de funcionamento de cada um dos seus funcionários. Quais são os recursos e os talentos que cada membro da sua equipe possui.

É ter uma capacidade de leitura, comunicação e empatia que não se ensina nas escolas ou mesmo nos MBAs.

É ser a interface, o tradutor entre alta administração da empresa e os colaboradores.

Engajar, reconhecer, estimular e mostrar o porquê.

Já entramos em uma nova era há muito tempo e ainda existem pessoas que acreditam que o autoritarismo, a pressão e o medo são os elementos que vão manter um funcionário dentro da empresa.

Cada vez mais as pessoas buscam um significado para o que fazem. Estudos da ONU indicam que em menos de 20 anos teremos a estrutura de trabalho totalmente reformulada.

Que inúmeras atividades que fazemos hoje serão substituídas por inteligência artificial (IA) e essa é a maios pura verdade, pois quando verificamos as iniciativas estudas pela universidade criada pela NASA e pelo Google (Singularity University) é assustador perceber o que já vem sendo feito e testado.

Já no que tange a você, funcionário, é essencial entender que sempre haverá desafios e adversidades em qualquer trabalho que você vá. Que muitas vezes você pode vir a ser desafiado e sair da sua zona de segurança, mas que são exatamente esses fatores que vão te ajudar a evoluir profissionalmente.

Que todas as pessoas têm os seus dias ruins e pode ser que muitas vezes a conversa não seja conduzida da forma que você gostaria, mas que compreender o outro e ter empatia também faz parte da sua jornada.

Nem sempre todas as suas ideias serão acolhidas, mas se você acredita é o seu papel estudar, trabalhar e aprimorar até que dê certo.

Também é sua responsabilidade desenvolver um canal de comunicação e compreensão de como as pessoas funcionam. Tanto na relação vertical como na horizontal de trabalho, afinal de contas nenhum de nós trabalha sozinho.

Isso reduz ruído na comunicação e otimiza o seu tempo e o seu trabalho.

Por fim, ter uma boa capacidade de compreender o contexto e proatividade para resolução de conflitos não precisariam ter que ser pedidos, faz parte do processo de entregar o seu melhor onde quer que você esteja e independentemente do que você esteja fazendo.

E depois disso tudo, vão aqui as minhas dicas finais

Gestores, busquem entender os seus funcionários, os seus valores, o porquê eles fazem o que fazem, dê significado ao trabalho, converse, alinhe e chega de feedbacks e conversas “pró forma” ou que só diminuem as pessoas. Reconheça, destaque as qualidades e promova o desenvolvimento de quem está ali dividindo a maior parte do seu tempo com você.

Funcionários, busquem entender como essa empresa e essa função estão alinhadas com o que você verdadeiramente quer para a sua carreira. Esteja aberto a aprender. Flexibilidade e resiliência são essenciais para o seu aprendizado e evolução como pessoa e profissional. Busque conversas reais e honestas ao invés de simplesmente reclamar. A mudança sempre começa com a gente.

*Thaís Lima é estrategista e desenvolvedora de carreiras

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