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Os impactos da chamada indústria 4.0 no ambiente hospitalar

O setor da saúde é historicamente tradicional, porém nas últimas décadas vem vivendo um movimento de viés tecnológico.

Paula Gallo

21/07/2019 às 10h40

hospital
Foto: Shutterstock

O setor da saúde, incluindo profissionais, estabelecimentos e até mesmo entidades de classe, é historicamente tradicional. Vivemos nas últimas décadas, porém, um movimento de viés tecnológico, cujos impactos ainda nem podemos mensurar. Contudo, é importante observar que esse é um caminho sem volta e que, na verdade, contribuí – e muito – com o desenvolvimento da área. Para além das fábricas e do e-commerce nosso setor está também “abraçando” conceitos como internet das coisas (IOT) e processos automatizados, componentes da chamada indústria 4.0. Neste caso, a produção digital associa-se a máquinas, produtos, sistemas e usuários.

No Hospital Santa Paula a transformação digital já é uma realidade e com muita oportunidades em vista. Na área médica lidamos com qualidade e segurança e é nisto que o processo de transformação mais nos auxilia. Para nosso corpo assistencial, a digitalização e virtualização de processos já implica em uma formação diferenciada para integrar ferramentas que geram e processam os diferentes dados coletados. Obviamente, não podemos abrir mão de um conhecimento prático profundo da profissão. Mesmo os médicos de nosso corpo clínico já se mostram familiarizados com a digitalização. E esse processo não foi nada traumático. Pelo contrário. Quando eles observaram e continuam com esse olhar de que conceitos como big data e integração de dados são benéficos e contribuem com seu trabalho, a aceitação é imediata. A Inteligência artificial apoia mas não substitui a equipe multidisciplinar, na melhoria continua dos processos assistenciais.

Recentemente, o hospital recebeu a Certificação Internacional da Healthcare Information and Management Systems Society (HIMSS) estágio 7 (grau máximo), uma das associações internacionais de maior prestígio mundial no setor de saúde. A instituição foi a primeira de São Paulo a conquistar o nível máximo da EMRAM - Electronic Medical Record Adoption Model -, se consolidando como hospital totalmente digital (paperless). É importante observar que digitalização total permite à instituição o uso de diversas ferramentas para a segurança do paciente, fazendo com que medicações, exames e procedimentos sejam mais bem controlados, evitando eventos adversos. No Hospital Santa Paula, a utilização da IOMT – Internet of Medical Things – ja é corriqueira, apoiando a instituição com mobilidade e orquestração de múltiplos dispositivos que integram no prontuário eletrônico todos os dados do paciente. A informação é capturada dos equipamentos direto para o prontuário dele. Neste ambiente de conectividade extrema e interoperabilidade, não podemos esquecer da segurança e confidencialidade dos dados do paciente, dados estes de grande valor para a instituição e de alto valor para hackers.

Os grandes desafios para os próximos passos se dá em três esferas:

Pessoas: como qualificar frente às grande mudanças que enfrentamos todos os dias e promover a retenção de nossos talentos, frente ao constante assédio pela grande valor que temos em nosso capital humano;

Processos: neste ambiente VUCA (Volatility, Uncertainly, Complexity e Ambiguity), característico da Economia 4.0, o aprender e desaprender torna-se um fator presente no dia a dia. Este exercício deve ser incorporado à rotina da instituição e nos estimula a entender que este modelo é definitivo, nada será como antes.

Tecnologia: a incorporação tecnológica se faz não somente no âmbito da assistência, novos modelos de equipamentos para diagnostico, monitorização ou robótica para procedimentos cirúrgicos. A incorporação do quesito Inteligência Artificial já impacta a nossa rotina diária e seguramente nos provocará um verdadeiro tsunami de dados.

Frente a estes desafios, o Hospital Santa Paula tomou a iniciativa da criação do Inovalab, ambiente para a cocriação das presentes e futuras demandas nestas três esferas. Em parcerias com startups e heathtechs e estimulando o ambiente interno para desenvolver soluções, entendemos que a qualificação de nosso time trará o resultado necessário para "surfar”a próxima onda que já inunda nossa praia. Design Thinking, Lean, Canvas, MVP, Scrum e pivotagem são jargões presentes no vocabulário do Hospital Santa Paula.

Você esta preparado para a próxima onda? Nossa parte queremos fazer.

*Por Paula Gallo, idealizadora do HSPinovalab e gerente de negócios estratégicos do Hospital Santa Paula.

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