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Os novos caminhos das transmissões esportivas

Novas tecnologias transformam e enriquecem a experiência dos espectadores de esportes do mundo todo.

*Wellington Lordelo

08/08/2019 às 17h59

Streaming está mudando a forma como pessoas assistem a esportes e outros eventos
Foto: Shutterstock

Os fãs de esporte de todo o continente se voltaram para as transmissões da XVIII edição dos Jogos Pan-Americanos, que estão sendo realizados em Lima, no Peru, pela primeira vez na história. Desde a última edição do evento, há quatro anos, novas tecnologias vêm transformando e enriquecendo a experiência dos espectadores, como, por exemplo, o streaming digital, que permite o acesso a mais conteúdo por meio de dispositivos conectados à internet, por um preço mais acessível. Essa movimentação também provoca transformações radicais no ecossistema da cobertura esportiva, proporcionando aos proprietários de conteúdo um fantástico poder de negociação.

Tecnologias que oferecem acesso mais rápido e com valores mais viáveis, como o 4G e a fibra óptica residencial, desempenharam um papel crucial no crescimento dos serviços de streaming. Embora fique menos óbvio para o mundo em geral, a interconexão — ou seja, a troca de dados privados entre várias empresas, como provedores de conteúdo, emissoras de TV, operadoras e provedores de cloud, dentro de um ecossistema — tem a mesma importância que essas tecnologias nesse avanço.

As emissoras de esportes tradicionais estão vigilantes e preocupadas com seus novos concorrentes, como a Apple, a Netflix, o Facebook e outras empresas semelhantes, e com toda razão. A mudança é iminente; no ano passado, a Amazon fechou o que foi descrito como "um negócio revolucionário" ao adquirir os direitos de transmitir a cobertura de 20 jogos da Premier League inglesa para seus clientes do Amazon Prime. Somado a isto está a recente incursão da Amazon no mundo do tênis, com ofertas ao vivo e sob demanda garantidas até 2023, em acordo feito com a ATP – Associação de Tenistas Profissionais.

Na marca do pênalti

Também surgiram novos provedores de OTT – da sigla Over The Top, que é a distribuição digital de conteúdo por meio da Internet – dedicados aos esportes. A DAZN é um excelente exemplo. A provedora começou a atuar em 2016, inicialmente oferecendo serviços no Japão, na Alemanha, na Áustria e na Suíça, passou, então, a cobrir a Itália, o Canadá e os EUA, e chegou em 2019 à Espanha e ao Brasil. Descrita com frequência como a “Netflix do Esporte”, já forneceu, em apenas dois anos, 20 milhões de horas de conteúdo, transmitindo ao vivo mais de 300 competições esportivas, de acordo com a Forbes. Ao contrário da Netflix, a maior parte do conteúdo da DAZN é assistida ao vivo, o que leva o serviço a oferecer amostras gratuitas de acesso para seduzir novos espectadores. No entanto, como muitas empresas de mídia por assinatura já descobriram, há um limite com relação ao tamanho do conteúdo oferecido às pessoas a título de amostra sem desvalorizar o produto.

Uma tendência alternativa que está em ascensão são os proprietários de conteúdo que se lançam no mercado diretamente. A UEFA causou comoção quando lançou em junho uma plataforma de streaming de acesso gratuito, a TV UEFA, que, como afirma

a organização, “tem como objetivo oferecer aos espectadores maior acesso ao conteúdo de vídeo ao vivo e sob demanda de uma variedade de competições”. A UEFA enfatizou que a TV UEFA não irá competir com os canais de TV, mas sim complementá-los.

Satisfação do usuário

Após as emissoras terem garantido o conteúdo, a próxima barreira é a experiência do usuário final, que é crucial para serviços de streaming. Os espectadores rejeitam transmissões que não tenham uma imagem perfeita em qualquer dispositivo que decidam usar, não importa onde estejam. Isso significa que, para minimizar o tempo de resposta, os provedores de OTT precisam processar o feed de streaming o mais próximo possível de seu público, usando uma abordagem de computação localizada, o que chamamos de digital edge. Isso permite uma experiência ininterrupta e consistente para o espectador.

Tudo isso enfatiza as razões para empresas como a DAZN firmarem parcerias com companhias que oferecem interconexão. É essa tecnologia que permite que a DAZN estabeleça conexões entre todas as partes relevantes de seu ecossistema com a flexibilidade adicional de utilizar uma interconexão definida por software que é compatível com a capacidade de gerenciar picos de demanda de audiência. Para a DAZN, isso significa que ela pode aumentar sua capacidade conforme necessário, otimizando os custos, mas com resiliência inerente. Essa escalabilidade é fundamental para a DAZN. Em junho de 2019, por exemplo, a empresa anunciou um aumento anual de receita de 950%! Esse nível de cobertura global também significa que, quando a DAZN ou qualquer outro provedor de OTT quiser começar a atuar em um novo mercado, poderá escalar seus negócios com mais rapidez e confiança.

Não se esqueça do 5G

Há ainda outra grande mudança para se levar em conta: o 5G. À medida que amadurece, a tecnologia deve aprimorar a qualidade dos sinais dentro de determinados limites e incluir tecnologias como realidade aumentada e realidade mista no cardápio disponível para o espectador.

Em sua palestra durante a edição 2019 do Digital Transformation World, fórum anual que busca promover a transformação digital dos prestadores de serviços de comunicação por meio da colaboração, realizada em maio em Nice, na França, Jamie Hindhaugh, diretor de operações do grupo de comunicação britânico BT Sport, explicou como o fatiamento de uma rede 5G transformará as transmissões. As mais de 25 câmeras normalmente necessárias para fornecer cobertura em um jogo de futebol não ficarão mais presas a desajeitados cabos de transmissão conectados a enormes caminhões equipados com geradores. Serão necessárias menos câmeras — mais uma vez, poupando dinheiro e otimizando a logística.

Outro exemplo é a Amagi, uma empresa norte-americana de tecnologia de mídia, que fornece uma solução de transmissão ao vivo para esportes e outros eventos, que combina uma plataforma baseada na web a uma plataforma de transmissão terrestre. A solução pode ser usada por grandes redes de TV, emissoras esportivas e distribuidoras de esportes OTT para oferecer esportes ao vivo, streaming de eventos ou ativos de vídeo sob demanda (VOD).

Vamos testemunhar o surgimento de mais situações adequadas para as transmisssões, incentivando a exibição de jogos de ligas inferiores e dando visibilidade a uma gama de esportes muito mais ampla. E, claro, o mesmo se aplica a shows e a todos os tipos de outros eventos públicos, que, em breve, poderão ser transmitidos a partir de uma rede perto de você.

Uma abordagem mais ágil

Essa transformação permitiu que uma série de empresas inovadoras entrassem nesse ecossistema, favorecendo o crescimento do setor com ofertas comerciais mais ágeis. Todas essas empresas estão usando uma estratégia de digital edge baseada em interconexão que lhes permite ampliar seus negócios digitais, identificar novas oportunidades de crescimento e acompanhar o ritmo desses mercados em constante mudança.

Sem dúvida, há muitas outras mudanças no horizonte para o mundo da transmissão e do streaming — em breve em uma tela perto de você!

*Por Wellington Lordelo, gerente de Solution Marketing da Equinix Brasil

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