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Os quase éticos

Déborah Oliveira

06/09/2017 às 8h45

Cristina-Blanco
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Estamos vivendo tempos estranhos. Quando achávamos que estávamos prestes a solucionar nossos problemas de corrupção e colocar o País de volta nos trilhos do crescimento, nos demos conta de que só foi encontrada a ponta do novelo. O desenrolar dessa história parece não ter fim. O mar vermelho de corrupção e escândalos está revolto.

Esses dias vi um vídeo do cantor e compositor Lenine soltando o verbo em um de seus shows. Ele discordava da afirmação de que o povo brasileiro tem governantes corruptos porque é um povo corrupto. Assunto polêmico que despertou minhas reflexões.

Não compartilho da mesma opinião desse artista que gosto muito e respeito. E deixo aqui meus argumentos para que você possa concordar ou discordar à vontade, afinal, vivemos em um país livre, mas que seja com o respeito que toda opinião merece.

Desvios

Que atire a primeira pedra quem nunca corrompeu ou foi corrompido! E aqui incluo a caixinha do “seu guarda” que te pegou acima da velocidade permitida. Aquele que pagou para ter seu TCC feito por um amigo com mais disponibilidade. Aquele que estoura o cartão de crédito propositadamente para fazer um acordo e pagar menos da metade. E quando o caixa do estabelecimento se equivoca, cobra menos e ficamos calados. Ou ainda quem “agiliza” a liberação do documento no Detran, na prefeitura, ou qualquer outro órgão público.

E cortamos filas no trânsito, aproveitamos aquele amigo que trabalha no banco e nos coloca para dentro antes da abertura das portas, enviamos presentes para as secretárias que nos encaixam nas consultas, conseguimos atestados falsos para poder viajar e não perder o dia, e por aí vai. Desse parágrafo, nada é considerado fora da lei. Mas é fora da ética.

Longe de fugir da minha consciência, já vou adiantando que também cometi meus pequenos delitos. Mas temos boas desculpas: “O que representa uma pequena propina perto dos milhões que os políticos roubam de nós?”; “Pago tanto imposto que tenho direito a um ressarcimento.”; “Os bancos ganham muito dinheiro. Isso não vai fazer falta pra eles.”; “Se não der a parte deles, a coisa não anda.”; “Já tenho 20 pontos. Se não soltasse a grana perderia a carteira.”, “Estou atrasada, não posso pegar essa fila.” ... e por aí vai.

E nos negócios acontece o mesmo. Para ganhar uma concorrência, paga-se a parte do facilitador. Há quem diga que as coisas só pioraram. Mas eu acredito que não. A falcatrua rolava mais solta antigamente. As empresas passaram a criar mecanismos para evitar que fossem lesadas por colaboradores mal-intencionados. E a tecnologia é um grande aliado nessa tarefa.

Eu trabalho em uma empresa na qual a ética é levada a sério e que, desde de 2014, figura na lista das empresas mais éticas do mundo, segundo o Ethisphere Institute. Vender com integridade sempre foi um pilar importante por aqui e essa postura norteia a relação com clientes, parceiros e colaboradores. Temos inclusive um Comitê de Ética, grupo formado por funcionários de diversas áreas cujo principal objetivo é implementar iniciativas que reforcem a cultura e os princípios de ética e integridade.

Você já ouviu alguém dizer que ser honesto é ser otário? Tenho esperanças de que isso seja coisa do passado. Faço um exercício diário para ser ética nos mínimos atos. Quando esse for o único comportamento aceitável em todos os campos teremos chance de viver em um país sem corrupção. Espero ter a alegria de ver esse dia chegar.

*Cristina Blanco é de Líder de Field Marketing – Brasil da Dell EMC

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