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Por que algumas startups são chamadas de empresas de tecnologia e outras não?

Déborah Oliveira

04/08/2015 às 11h18

Por que algumas startups são chamadas de empresas de tecnologia e outras não?
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O Uber é uma empresa de tecnologia? E o AirbnB? Uma nova geração de empresas (de tecnologia?) que entrega comida ou conecta passageiros e motoristas, mas não se parece muito com uma operação tradicional de tecnologia repleta de computadores, telefones ou software – está mudando o conceito de empresas de tecnologia. Sem dúvida, esses negócios usam a tecnologia em seus negócios. E muitos delas não existiriam sem o desenvolvimento de aplicativos em smartphones ou o onipresente acesso à internet.

A verdade é que, hoje, cada empresa é pelo menos um pouco de uma empresa de tecnologia. Alguns bancos em Wall Street, nos Estados Unidos, empregam mais profissionais de tecnologia do que de outras áreas, mais até do que as maiores companhias do Vale do Silício. E grandes fabricantes como a General Electric estão trilhando o caminho para conectar sensores à internet em coisas tão variadas como ruas e turbinas.

Então, por que algumas startups são chamadas de empresas de tecnologia e outras apenas de... empresas? "Tecnologia significa mais do que fabricante de hardware ou software", disse ao jornal The New York Times Mark Zandi, economista-chefe da Moody Analytics. "Ela é sinônimo de inovação, investigação e desenvolvimento, além de ser pensada no longo prazo”, completou.

Alex Payne, engenheiro do Twitter e investidor de tecnologia escreveu em 2012: empresa de tecnologia ou startup de tecnologia são rótulos que vão se tornar inúteis. Para ele, chamar de empresa de tecnologia todo negócio em crescimento atual é tão inútil quanto chamar as empresas da era indústria de “empresas de fábrica”.

Pegue o Uber como exemplo. O coração da companhia é um aplicativo de smartphone ligado a um banco de dados que mostra aos passageiros em tempo real motoristas nas proximidades. É a tecnologia ajudando na transação com o mundo real. Travis Kalanick, presidente-executivo da Uber, descreve o Uber como uma "plataforma tecnológica". 

Então, a empresa não está na categoria de logística ou transporte? "Eles estão no negócio de tecnologia, porque a tecnologia foi o divisor de águas para eles", disse Kenny Dichter, executivo-chefe da Wheels Up, organização que, como Uber, usa um aplicativo e um banco de dados para ligar clientes a um serviço de transporte - nesse caso, voos em pequenos aviões particulares. "Estamos todos no mesmo negócio", emendou Dichter, embora não considere a Wheels Up uma organização de tecnologia - ainda.

A tecnologia também foi um divisor de águas para a Barton & Gray Mariners Club, empresa de Nova Hampshire, nos Estados Unidos, que aluga iates. Ela desenvolveu um algoritmo que funciona com um aplicativo de smartphone que ajuda a sua clientela a alugar barcos. O sistema permitiu que a empresa registrasse ganhos de eficiência antes impossíveis. 
Pergunta que não quer calar: seria então a Barton & Gray Mariners Club uma organização de tecnologia? Não, embora seja muito dependente de sua tecnologia. "Estamos mais no segmento de serviço e hospitalidade", definiu o executivo.

Com tamanha evolução do mercado, talvez em alguns anos as empresas não tenham rótulos em segmentos específicos. E, você, o que pensa sobre o tema?

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