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Por que o ego das grandes empresas matam tantas iniciativas de inovação

Se transformar digitalmente é uma questão de sobrevivência para as grandes empresas, e não somente uma estratégia de melhoria.

Thiago Lima*

02/07/2019 às 10h40

Foto: Shutterstock

O ego é uma das coisas que mais matam iniciativas de inovação nas grandes empresas. Um dia desses, eu estava jantando com um amigoque trabalha em uma dessas empresas. Nosso objetivo era conversar sobre um produto para inovação.

No início da conversa, eu expliquei que o processo de inovação depende basicamente de experimentação e de muito aprendizado via feedbacks de usuários, e que por isso, o ideal era utilizar métodos de Design Thinking, MVP, Lean Startup, entre outros.

Durante nosso papo disse para ele que primeiro precisamos entender qual o problema que queremos resolver e validar se isso é um questão real de mercado com o público alvo. Porque, só assim, vamos entender a tração do projeto. Então ele me disse: “Eu já sei o problema que queremos resolver e o que quero no produto”.

Nesse momento ele abriu o seu caderno e me mostrou uma lista de funcionalidades. Confesso que fiquei impressionado com a tamanha certeza dele sobre o que precisava ser o produto. Fiquei lembrando de muitas iniciativas de grandes empresas que nascem da mesma forma e falham pouco tempo depois.

Depois disso, comecei a fazer alguns questionamentos sobre a visão do produto, por exemplo: "Qual a persona que utilizará ou qual será o público alvo?", e ele me respondia de forma genérica, focando apenas nas funcionalidades. Então eu disse para ele que aquilo não tinha nada de inovação, pois não existiam incertezas
e não havia espaço para experimentação.

Após conversarmos mais sobre o assunto conclui que muitas empresas ainda não estão adaptadas aos novos modelos de inovação e ainda não aderiram ou começaram a tomar medidas para uma transformação digital. Infelizmente, a liderança de alguma empresas ainda contém um ego gigante e querem ser o centro ou o idealizador de qualquer iniciativa. No final eles não aceitam “desapegar” de suas ideias, e isso é o motivo de muitos projetos de inovação morrerem no meio do caminho.

É muita arrogância achar que sabe tudo sobre seu mercado, pois sempre terá uma informação nova que pode ser essencial para evolução. Talvez exista uma pressão tão grande nesses profissionais que isso provoca a falta de uma cultura de experimentação ou que permita erros e aprendizados.

Uma coisa posso garantir, quando lidamos com inovação NÃO EXISTE:

  • Bola de cristal
  • Garantia de sucesso
  • Atalho

Em resumo, mesmo com tantos discordâncias, consegui comprovar que a mentalidade dele não estava certa e que ele teria que voltar a estaca zero.

O resultado do jantar foi muito positivo, pois ficou claro que o novo produto não se tratava apenas de uma lista de funcionalidades e que o primeiro passo era identificar um problema real de mercado a ser resolvido. Tudo isso utilizando técnica de experimentação, validação de hipóteses e análise de comportamento de usuários. Afinal, para ter sucesso no mundo digital é necessário uma estratégia completa. Acredito que com o tempo, muitos executivos vão mudar seu modo de pensar sobre projeto de inovação e quando isso acontecer, as empresas serão mais abertas para novos conhecimentos e terão melhores resultados!

Se transformar digitalmente é uma questão de sobrevivência para as grandes empresas, e não somente uma estratégia de melhoria.

Se você é líder em uma grande empresa, recomendo uma reflexão para verificar se os seus pensamentos fixos ou o seu ego não estão matando as iniciativas de inovação da sua empresa e se você não está impedindo um avanço para transformação digital. Além disso, indico a leitura do livro "A estratégia do Oceano Azul", de W. Chan Kim.

*Thiago Lima (28) é CEO e fundador da LinkApi, plataforma que possibilita empresas desenvolverem, monitorarem e distribuírem integrações entre diferentes sistemas. Thiago começou a programar aos 12 anos. O garoto do Grajaú, periferia da Zona Sul de São Paulo, viu na tecnologia a oportunidade de conseguir seu próprio dinheiro. Ainda jovem, com 17 anos, fundou seu primeiro negócio e, após uma frustração, decidiu transformar seu esporte em profissão, o MMA, e em dois anos conseguiu o feito, realidade até sua quinta luta profissional, que foi finalizada por um acidente no tatame. Por conta disso, voltou para a área de tecnologia e iniciou uma Especialização em Ontopsicologia, na AMF (Antonio Meneghetti Faculdade).

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