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Por que o Google está apostando no YouTube Playlists Educativas?

Movimento da companhia busca fortalecer o aprendizado digital para usuários e reforça papel dos produtos de conteúdo

Déborah Oliveira

13/07/2019 às 11h36

YouTube e Facebook bloqueiam vídeos de extremistas
Foto: Déborah Oliveira

Logo quando surgiu, a internet era considerada vilã da educação. Professores, presos ao mundo analógico, não queriam que seus alunos usassem o Google para fazer pesquisas. Com o tempo, essa barreira foi quebrada e muitos educadores passaram a incentivar o uso da web para fortalecer o aprendizado. Afinal, o digital mostrou-se um recurso atraente para engajar uma geração avessa ao papel e ao formalismo dos livros.

O YouTube nasceu em 2005 na esteira da internet e com seus milhares de canais passou a ser aliado de jovens na hora de estudar. Hoje, os vídeos de educação são mais assistidos do que os famosos e adorados vídeos com gatos. O Google entendeu a força e o potencial da educação digital e começou a ampliar seus recursos para professores e alunos.

Tanto é que em 2013, a gigante de tecnologia anunciou o YouTube Edu, plataforma de vídeos educacionais criado em parceria com a Fundação Lemann. Ontem (12/7), a companhia deu mais um passo importante no cenário educacional digital ao anunciar as Playlists Educativas, experiência dedicada para quem vai ao YouTube aprender.

Segundo explicou Clarissa Orberg, responsável pelas parcerias de conteúdo no segmento de educação do YouTube, os novos recursos organizam e estruturam o conteúdo voltado à educação ao dividir os vídeos por capítulos com base em conceitos, do básico ao avançado. Outro diferencial destacado por ela é o ocultamento de recomendações de outros vídeos. “Dessa forma, o usuário pode focar na lição, sem distrações”, apontou.

A ideia não é apenas melhor organizar o conteúdo, mas estimular a educação de forma sequencial, ao melhor estilo life long learning, ou aprendizado continuado. O aluno escolhe como, quando e onde vai aprender.

Para isso, o YouTube selecionou em um primeiro momento 75 canais no mundo e 15 no Brasil, que já estão com a funcionalidade ativa. Em solo nacional, os canais incluem Manual do Mundo, Me Poupe!, Se Liga Nessa História, Débora Aladim, JeanGrafia GabaritaGEO, Matemática Rio com Prof. Rafael Procopio, Professor Noslen, MyNews, Poligonautas, Biologia Total com Prof. Jubilut e Ciência Em Ação - Prof. Paulo Valim.

Em conversa com um pequeno grupo de jornalistas na sede do Google, em São Paulo, mostraram-se animados com a novidade Mariana Fulfaro e Iberê Thenório, do canal Manual do Mundo, o maior de ciência e tecnologia do Brasil, Nathalia Arcuri, do Me Poupe!, que mira a educação financeira, e Walter Solla e Ary Neto, do Se Liga Nessa História, voltado para o ensino de história, juntos, esses canais acumulam quase 17 milhões de seguidores.

Mariana e Thenório revelaram que o Manual do Mundo começou a trabalhar nos conteúdos do canal em janeiro deste ano e uma das playlists disponíveis já soma 34 vídeos com aulas relacionadas à eletrônica, Arduino, marcenaria, impressora 3D e corte a laser. “Contratamos um professor de robótica e engenharia e um físico para estruturar as aulas”, contaram.

Já Nathalia, do Me Poupe!, estruturou uma lista de aulas batizada de “O problema é seu”, que foca na resolução de problemas. Com três anos de YouTube e quase 4 milhões de seguidores, a empreendedora assinalou que todo o conteúdo é resultado de muito estudo e que usou neurociência e antropologia para formar a grade. “A maioria das pessoas foca nos problemas e eu quero mostrar a solução”, disse.

Solla e Neto, do Se Liga Nessa História, apostaram no tema “Roma” para dar o ponta pé inicial nos conteúdos do YouTube Playlists Educativas. De forma irreverente e leve, mas nem por isso menos aprofundada, os dois explicam a história da cidade. São 13 vídeos com pouco mais de duas horas de duração.

De um lado, a aposta do YouTube na ferramenta faz muito sentido em uma era digital, e na qual a educação migra cada vez mais para a internet, mesmo com os desafios de conectividade do Brasil, que ainda tem metade da sua população fora do universo on-line.

Do outro, no dos canais, estimula conteúdo de qualidade e fortalece esses talentos para ampliar a rentabilidade, estimulando novos produtores de conteúdo. Para o usuário, é uma maneira eficiente, lúdica e ‘barata’ de aprender. Uma verdadeira relação ganha-ganha.

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