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Por que unicórnios surgem com mais frequência?

Confundador da Singularity University, Peter Diamandis, explica

Déborah Oliveira

06/11/2018 às 9h15

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O mundo vive um momento extraordinário e único. Foi com essa visão otimista que Peter Diamandis, confundador da Singularity University - think tank do Vale do Silício, que oferece programas educacionais e uma incubadora de empresas -, apresentou-se no HSM Expo, realizado nesta semana em São Paulo.

Segundo ele, nunca houve tanto acesso ao conhecimento e capital como hoje. Mas ao mesmo tempo, muitas pessoas continuam passando fome e sem acesso ao trabalho. “Esse cenário, contudo, está mudando. Eu estava preocupado com o futuro, mas aqui está o desafio: não entendemos quão rápido o mundo está mudando. Há tanta coisa acontecendo. Há muita tecnologia surgindo e transformando negócios”, alertou.

Ele apontou que apesar de tantas disrupções e novidades, no entanto, nosso cérebro ainda pensa de forma linear, enquanto o mundo salta exponencialmente. E é por isso que muitas vezes as pessoas simplesmente não conseguem acompanhar ou entender o ritmo dos novos tempos.

Novidades surgem todos os dias, contou, justamente porque os meios para que elas se estabeleçam e se consolidem se multiplicaram. “Unicórnios estão explodindo todo ano porque a habilidade que empreendedores têm de comunicar na internet, de começar uma ideia, está explodindo, está mais fácil”, revelou ele.

Apesar dessa constante evolução, muitas empresas não compreendem os sinais dos novos tempos – culpa, mais uma vez, do pensamento linear. Como exemplo, ele citou a famosa Kodak. Em 1996, a empresa era líder do seu mercado, com receita de US$ 28 bilhões e 140 mil funcionários.

Todos sabem que fim levou a empresa, que foi engolida pelos smartphones com câmera fotográfica. O que poucos sabem, no entanto, é que o projeto de futuro da fotografia foi apresentado por sua liderança ao board, que desdenhou da ideia.

“Em 2012, a empresa entrou com pedido de falência. Nesse mesmo ano, chegou ao mercado o Instagram, com a mesma ambição da Kodak: preservar memórias. A rede social tinha 13 funcionários. Comprada posteriormente pelo Facebook, hoje vale US$ 100 bilhões”, contou ele.

A Blockbuster também teve a oportunidade de levar a Netflix, que na época alugava DVD de filmes on-line. Mas não o fez. “Nem o Redbox nem a Netflix estão no nosso radar em termos de competição”, disse à época o ingênuo CEO da Blockbuster, Jim Keyes. Deu no que deu. Em 2018, a Netflix passou a Disney e tornou-se uma empresa de US$ 152,3 bilhões, o maior negócio de mídia em valor de mercado.

Diamandis comentou ainda o exemplo da Amazon. Varejistas tradicionais, como Macy´s e Best Buy jamais imaginariam que a gigante de Jeff Bezos seria líder do segmento. “Estamos indo do momento ‘eu tenho uma ideia’ para eu ‘criei uma companhia bilionária mais rapidamente do que antes’”, comentou. Assim, portanto, o questionamento constante de novos negócios, pautados na tecnologia, será pautado na busca de formas de "fazer diferente, mais barato e melhor".

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