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Por trás da queda da produção está a falta de investimento em TI

Especialista acredita que um dos pilares da falta de competitividade da indústria nacional recai pela pouca digitalização do setor

Alexandre Weisheimer*

18/05/2019 às 15h00

Foto: Shutterstock

A produção industrial caiu 1,3% em março, pior resultado desde setembro de 2018. Segundo o IBGE, em comparação com o mesmo período do ano passado, a queda foi de 6,1%. Com mais esse recente resultado, o patamar de produção da indústria brasileira ainda segue 17,6% abaixo de seu ponto mais alto, alcançado maio de 2011.

Além da clara perda de ritmo e maior fragilidade da economia – a projeção do PIB para 2019 caiu pela 11ª vez consecutiva, de acordo com dados do Boletim Focus, onde o crescimento estimado é de 1,45%, sendo que na última semana, estava em 1,49% - a falta de investimentos em tecnologia é um dos principais fatores da produção industrial perder cada vez mais seu fôlego.

A indústria precisa de investimentos urgentes em tecnologia. A perda de competitividade em relação aos países que competem diretamente com o Brasil é cada vez maior. Estamos passando por um período de agressiva transformação digital e o principal sintoma desta falta de infraestrutura em TI é a queda de produtividade.

De acordo com o mais recente levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais da metade da indústria brasileira está atrasada na corrida tecnológica. A pesquisa revela que 14 dos 24 segmentos do setor estão defasados em relação aos rivais globais na adoção de tecnologias digitais.

Não é só uma questão de incentivos do governo, ou desoneração fiscal, que também é importante, claro. Será necessário um redesenho estratégico em conjunto por parte dos players que tenha plena consciência que, sem investimentos consistentes em tecnologia, está em risco a sobrevivência do setor industrial.

É claro que ainda há muito a ser explorado em tecnologia como robôs autônomos, sistemas integrados, cibersegurança, computação em nuvem, internet das coisas (IoT), produtos diversos, impressão 3D, realidade aumentada e big data.Ferramentas inovadoras estão disponíveis no mercado e muitas delas são acessíveis até mesmo para o pequeno empresário. Com planejamento e buscando bons fornecedores, é possível remodelar processos e aumentar a produtividade das companhias com investimentos que cabem dentro do orçamento.

Indústrias não estão preparadas para o Bloco K

O Bloco K foi disciplinado pela Receita Federal desde 2016 e nele fica definido que estabelecimentos industriais, ou a eles equiparados pela legislação federal, e os atacadistas deverão informar seus estoques e produção no SPED Fiscal. A normativa trata da produção e dos estoques, onde os estabelecimentos deverão informar o consumo específico padronizado, perdas normais do processo produtivo e substituição de insumos para todos os produtos fabricados pelo próprio estabelecimento ou por terceiros.

Para garantir a conformidade com esta obrigatoriedade fiscal, as indústrias precisarão automatizar processos e digitalizar sua gestão. Quando falamos de Bloco K, a conta da falta de investimentos em TI não chega só pela queda de produtividade, ou competitividade, já estamos falando de multas e retrabalhos para se estar em ordem com questões fiscais, que deveriam ser o básico.

*Alexandre Weisheimer é analista de Negócios da Cigam, fornecedora de software de gestão empresarial (ERP, CRM, RH, PDV e Mobile).

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