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Profissionais raros em TI: por que é tão difícil preencher algumas vagas?

Contratar para área de tecnologia é um desafio para os gestores de RH.

*Paulo Exel

06/08/2019 às 10h52

Foto: Shutterstock

Contratar para área de tecnologia é um desafio constante para os gestores de RH. Isso porque, infelizmente, o Brasil não forma profissionais na mesma medida que o mercado demanda. O fato é que, na última década, o volume de dados cresceu exponencialmente, e passou a ser gerenciado de maneira totalmente digital. A tecnologia, que antes era coadjuvante nas empresas, passou a ser uma área estratégica e de alto impacto para os negócios. Essa transformação fez crescer a demanda por profissionais e criou um descompasso entre a alta procura e a baixa oferta.

Um levantamento feito pela Manpower Group, apontou que o Brasil é o segundo país que mais sofre com a escassez de profissionais qualificados, atrás apenas do Japão. Cerca de 71% das empresas apontam ter essa dificuldade. De acordo com o estudo, os profissionais de TI ocupam a oitava posição no ranking dos mais escassos, estando atrás de profissionais de nível técnico, artesãos, engenheiros, contadores.

Dentro da área de TI não é fácil listar quais são os profissionais mais raros, afinal essa demanda varia de acordo com a região, área, tipo de empresa e mudanças no mercado. No entanto, quando observarmos o mercado de contratações, conseguimos traçar um paralelo entre as demandas que estão mais recorrentes e as mais difíceis de serem preenchidas.

Pela minha experiência, consigo dizer que hoje os profissionais mais raros são aqueles com perfil técnico, que também tenham capacidade analítica e estratégica. É o caso de profissionais com conhecimento em análise de dados, que consigam não só trabalhar com as ferramentas, mas que também tenham expertise para interpretar as informações e transformá-las em estratégia para a empresa. Ou seja, mais do que as habilidades técnicas, as empresas buscam pessoas capazes de entender o impacto das ações de TI para o negócio.

Outro cargo cada dia mais necessário, são os responsáveis pela segurança da informação. O vazamento de dados pode comprometer a continuidade da empresa. Proteger-se de ataques e invasões é uma questão urgente e requer uma equipe com profundo conhecimento e atualizações constantes, uma vez que em pouco tempo as defesas ficam obsoletas. A Europa começou um movimento muito forte de proteção de dados, e isso já começou a refletir no Brasil através de subsidiárias europeias. No entanto, apesar de ser um nicho de atuação que tende a crescer, essa é uma área que poucos profissionais escolhem.

Com o avanço da velocidade de se criar novos produtos e funcionalidades surgiu ainda a necessidade por profissionais de desenvolvimento de softwares capazes de criar ferramentas para automatização de testes. Imagine um cenário onde um novo serviço de tecnologia está sendo disponibilizado. Após a fase de desenvolvimento e antes do lançamento, a ferramenta precisa ser testada em todas as interfaces, botões, navegabilidade, etc. Fazer isso manualmente encarece, e muito, a operação. Surge aí a necessidade de validar o código de programação de maneira automática. Mas para isso, precisamos de pessoas com expertise em ferramentas e processos que visam automatizar essas etapas.

Acredito que convém falar também do programador de software. Apesar de não ser um profissional raro, a procura está cada dia maior, aumentando assim a disputa entre os candidatos que existem. Mais uma vez, não é a quantidade de profissionais, mais sim o descompasso entre a formação deles e as urgências que aparecem no mercado.

Uma vez que são raros e cada dia mais necessários, esses candidatos começam a fazer exigências e buscam trabalhar para empresas as quais acreditam. O propósito é a bola da vez nos requisitos para quem está sendo contratado. Mas, apesar da missão empresarial estar entre as condições especificadas por eles, o grande anseio é por maior flexibilidade: seja no horário de trabalho, na possibilidade de home office ou por um dress code mais informal. Outro grande desejo é que a empresa o mantenha exposto às novas tecnologias. Eles querem trabalhar em ambientes inovadores, que forneçam ferramentas e favoreçam seu desenvolvimento profissional.

Enquanto recrutador, defendo que os profissionais negociem sim com as empresas que os estão contratando. É uma via de mão dupla, onde ambos os lados têm muito a ganhar. Mas, faço um alerta para que a negociação não se transforme em exigências, drenando o interesse e a confiança de quem está com a vaga aberta.

Algumas atitudes podem prejudicar o candidato. Falar de salário, benefícios e bônus logo no primeiro contato é uma delas. É o início do relacionamento, ambos os lados precisam se conhecer. Nessa fase, o candidato precisa explorar as oportunidades do projeto para o qual está sendo recrutado. Fazer perguntas sobre a cultura da empresa, sobre a liderança, os desafios, as responsabilidades e o futuro são o caminho mais educado e de quem tem verdadeiro interesse por uma oportunidade profissional. Esperar que a empresa mude sua política e cultura só para tê-lo na equipe pode passar a mensagem de que você é um profissional arrogante, e, portanto, por mais que seja qualificado para a vaga, não servirá para fazer parte do time.

Com tanta complexidade, as consultorias especializadas no recrutamento de TI são grandes parceiras na hora de encontrar os profissionais raros desse segmento. Isso porque elas trabalham em conjunto com a área de Recursos Humanos, para definir o plano estratégico e o diagnóstico de perfil ideal para cada vaga. Outro diferencial que torna as boutiques de recrutamento essenciais são o networking e o relacionamento contínuo com o mercado e com um nicho específico. Sem isso, encontrar os talentos nessa área torna-se, cada vez mais, uma tarefa quase impossível.

*Por Paulo Exel,  formado em administração de empresas, possui MBA executivo em gestão de negócios e tem certificação em coaching. Com mais de 10 anos de experiência no recrutamento especializado nas áreas de tecnologia, digital e vendas, Exel é diretor de operação da Yoctoo.

**Sobre a Yoctoo: A Yoctoo, é uma consultoria boutique de recrutamento e seleção especializada em TI e digital. Fundada em 2015, a empresa identificou no mercado a oportunidade de atuar de maneira especializada e dentro do nicho de tecnologia. Além da seleção de talentos para cargos de gestão e especialistas, a Yoctoo oferece mapeamento de mercado, onde desenvolve análises sobre as estruturas organizacionais. A empresa dispõe também de ferramentas de assessment, para avaliação de perfil pessoal, técnico e potencial. O maior diferencial são as entregas personalizadas, afinal cada projeto é único. A empresa está apta a recrutar candidatos por todo o Brasil. Inclusive, há uma base no estado de Santa Catarina, um dos maiores polos tecnológicos do país. No exterior, a Yoctoo já seleciona para vagas em toda a América Latina. Entre os setores que já confiam no trabalho da consultoria para recrutar vagas em tecnologia e digital podemos destacar: grandes indústrias nacionais e multinacionais, empresas de comércio eletrônico, bancos, farmacêuticas, entre outros segmentos.

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