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Reconhecimento facial: segurança e privacidade devem caminhar juntas

Tecnologia não pode, de forma alguma, ser uma ferramenta à serviço do autoritarismo

Maurício Ciaccio*

27/05/2019 às 11h24

Foto: Shutterstock

O reconhecimento facial já não é mais uma tendência, mas uma realidade. A falta de conhecimento ainda gera dúvidas em relação à falta de privacidade, mas, o fato, é que a tecnologia agrupa uma série de benefícios, principalmente com relação à segurança pública. E este já é um caminho sem volta.

É um tema polêmico. Mesmo com todas vantagens, muitas questões podem ser levantadas quanto à privacidade dos indivíduos e sua liberdade de ir e vir. Resumidamente, a solução consiste em mapear a imagem do rosto de um indivíduo, gravando as distâncias entre pontos específicos, baseando-se pelos olhos, boca e nariz.

Mas a tecnologia não pode, de forma alguma, ser uma ferramenta à serviço do autoritarismo. Segundo recente matéria do The New York Times, em um mês, a China escaneou 500 mil rostos usando inteligência artificial (IA) para traçar o perfil de uma minoria étnica – os uigures, uma minoria majoritariamente muçulmana. É o primeiro exemplo conhecido de um governo que usa intencionalmente a inteligência artificial para traçar um perfil com base em características raciais, dizem especialistas.

A regulamentação do uso do reconhecimento facial é necessária, claro. Com certeza é de interesse de todos que, sim, é preciso estabelecer limites quanto ao monitoramento de pessoas ou a identificação de hábitos. As ferramentas devem servir para munir as autoridades com informações que agilizem a prestação de serviços.

No Brasil, por exemplo, desde os carnavais do Rio de Janeiro e Salvador, em 2018, já existem iniciativas com elevado grau de maturidade. O objetivo é monitorar a festa remotamente e identificar, por meio do reconhecimento facial, pessoas que tenham mandado de prisão em aberto, pessoas com passagens na polícia e desaparecidos. É a tecnologia a favor da segurança pública.

Em alguns países, como Japão e Coreia do Sul, por exemplo, o reconhecimento facial já é usado para multar pedestres que atravessam fora da faixa. No escopo corporativo, soluções neste sentido reconhecem rostos e sensores podendo abrir uma fechadura, acender as luzes ou enviar alertas. A ferramenta facilita rotinas em grandes centros comerciais, condomínios e áreas industriais, sendo possível o controle de acesso em áreas restritas ou de alta periculosidade, evitando assim a circulação de pessoas não autorizadas.

Com certeza é um assunto delicado, sim. Mas, com isonomia, políticas claras e fiscalização eficiente, é possível usar a biometria facial para evitar crimes, otimizar serviços e aumentar a segurança de todos, seja em espaços públicos ou ambientes privados. Privacidade e segurança caminhando juntas a favor do bem comum.

*Maurício Ciaccio é diretor Comercial na Avantia Tecnologia e Engenharia.

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