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Ser mulher no mundo da tecnologia

"No começo, eu não conseguia uma entrevista na área de desenvolvimento", diz María Clara Vallés neste relato sobre como é ser mulher no setor.

María Clara Vallés

16/07/2019 às 13h50

Foto: Shutterstock

Poucos se lembram de que, no século XIX, a indústria tecnológica teve uma mulher como pioneira: Ada Lovelace. Ela foi reconhecida como programadora ao escrever o primeiro algoritmo destinado a ser processado por uma máquina. Hoje, ainda existem pessoas que associam as carreiras nas áreas de eletrônica e informática ao sexo masculino. Mas, me atrevo a dizer que o mundo está mudando.

Em 2012, Ginni Rometty se converteu na primeira mulher a ser CEO da IBM, a reconhecida empresa de tecnologia dedicada à produção de hardware, middleware e software. Não muito tempo depois, houve outro caso similar, quando, em setembro de 2014, Safra Catz foi nomeada CEO na Oracle.

Apenas um mês depois, Lisa Su se tornou CEO da AMD, a renomada empresa dedicada ao desenvolvimento daqueles processadores que dão vida aos nossos computadores. Casos isolados? Alguns poderiam argumentar que sim, porém, creio que é apenas o começo de uma evolução que trará um balanço maior ao setor.

É inegável que as carreiras vinculadas à indústria de softwares começaram a ter uma maior difusão nos últimos anos. Entretanto, existe uma grande parcela da sociedade que desconsidera tamanhas oportunidades na hora de definir um plano de educação em nível superior.

Existe hoje uma demanda de profissionais que supera – e muito – o número de pessoas que ingressa em carreiras vinculadas à tecnologia, e as mulheres continuam a representar uma quantidade mínima. Como será possível, então, balancear tamanha discrepância?

No meu caso, tive a sorte de ter excelentes professoras na faculdade que seguem sendo minhas mentoras. Ainda assim, devo reconhecer que logo que recebi o meu diploma, o caminho não foi fácil, mesmo com cartas de recomendação. No começo, eu não conseguia uma entrevista na área de desenvolvimento. Os estereótipos ainda vigentes, somados ao fato de viver em uma cidade pequena, em uma época em que o trabalho remoto era quase impensável, fizeram com que eu tivesse dúvidas dos meus primeiros passos na profissão.

Olhando para trás, tenho a certeza de que minhas dificuldades iniciais me ajudaram na minha formação profissional. É por isso que estou convencida de que é fundamental que as mulheres não percam de vista seus objetivos com emprenho e persistência para poder superar suas próprias expectativas.

Ao longo da minha carreira, tive a oportunidade de aplicar e acrescentar conhecimentos em tecnologias diversas. Participei de projetos para grandes companhias que me permitiram trabalhar com equipes estrangeiras de forma remota, o que me deu a chance de sair da zona de conforto para ampliar a minha experiência, adquirir novos conhecimentos e avançar profissionalmente.

A vontade e a capacitação individual dão frutos quando acompanhadas de políticas empresariais orientadas a priorizar a contratação de mulheres em suas diferentes áreas, independentemente da sua localização geográfica. Isso somado a políticas family-friendly e cultura flexível possibilita o que toda profissão necessita: homens e mulheres dispostos a trabalhar em conjunto, para que suas ideias e conhecimentos construam inovações que sirvam de base para gerações futuras.

*María Clara Vallés, Solution Architect de BairesDev, empresa argentina de desenvolvimento de softwares com atuação no Brasil.

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