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Setor eletroeletrônico encerra 2016 com nova retração e frustra expectativas da Abinee

Guilherme Borini

08/12/2016 às 18h49

Setor eletroeletrônico encerra 2016 com nova retração e frustra expectativas da Abinee
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O faturamento da indústria eletroeletrônica encerrará 2016 com queda nominal de 8% em relação ao último ano. Descontada a inflação, a retração representa 11%. O valor deve atingir R$ 131,2 milhões, ante R$ 142,5 milhões em 2015, de acordo com previsão da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), que admitiu frustração com os números do setor no ano.

O faturamento vem em queda livre desde 2013. No entanto, o impeachment da ex-presidente da República Dilma Rousseff trouxe esperanças de uma retomada rápida da economia, o que criou boas expectativas na Associação. “Nunca tinha visto uma queda de investimentos tão forte como essa. Os investimentos sempre foram cerca de 3% do faturamento e ficaram em 1,8%, o que mostra muita ociosidade”, destacou Humberto Barbato, presidente-executivo da Abinee, que apresentou nesta quinta-feira (08/12) os números preliminares do comportamento da indústria elétrica e eletrônica em 2016.

Para Barbato, ficou claro que a política interferiu na economia, atingindo o setor eletroeletrônico. Diante do cenário, o executivo não “culpou” o governo pela situação e fez “mea-culpa” com as expectativas criadas pelo próprio setor durante o ano. “Todos esperávamos que, passado o impeachment, começariam rapidamente as reformas que a indústria necessita. Criamos expectativas muito altas, mas percebemos que fomos muito otimistas”, comenta.

A Abinee aponta dois quesitos que influenciam nos números do setor: infraestrutura (bens de capital) e bens de consumo. “É um quadro de muita preocupação, tanto em infraestrutura quanto em consumo. Na área de infraestrutura, o setor de Telecomunicações teve queda em função da baixa demanda de todo o mercado. Essa situação gerou e está gerando dificuldades enormes para fabricantes de equipamentos. Em consumo, há o adiamento das compras por parte dos consumidores. As pessoas estão desconfortáveis e segurando os gastos. O desemprego gera essa desconforto, pois não sabemos quanto tempo vai durar”, explica Barbato, referindo-se, no caso de consumo, a produtos como desktops, notebooks, tablets e smartphones, que tiveram queda de mercado.

O mercado de telefones celulares, em unidades, deverá retrair 10% em 2016, por conta da queda de 11% na venda de smartphones. Também haverá queda significativa nas vendas de computadores, tanto de desktops (-37%) quanto de notebooks (-30%) e tablets (-32%), o que gera retração do faturamento de 23%, maior queda entre os segmentos que compões a indústria eletroeletrônica.

Mais números
A Abinee projeta queda de 10% na produção industrial neste ano, enquanto os investimentos devem fechar o ano com retração de 25%, passando de R$ 3,2 bilhões, em 2015, para R$ 2,4 bilhões em 2016.

O número de empregos também teve queda significativa e preocupa. A quantidade de empregados caiu de 248,1 mil para 234 mil – redução de 14 mil postos de trabalho. No acumulado dos últimos dois anos foram quase 60 mil vagas fechadas, o que, segundo a Associação, é causado pela influência da queda da produção do setor.

O único número que se destacou positivamente foi o de exportações de produtos. Apesar da queda de 5% nas exportações como um todo, a categoria Informática obteve 30% de crescimento. Algo que impressionou também a Abinee, que justificou sendo uma base de exportação recentemente estabelecida no Brasil e que seriam de impressoras – vendas para países como México, EUA, Argentina e Panamá.

As importações mostram números baixos. A queda foi de 20% em relação a 2015, com 25,3 mil produtos. Se comparado a 2014, a retração é significativa, quando o número era de 41 mil. A Abinee diz que é um reflexo da retração do mercado interno.

Perspectivas
Pés no chão. É dessa forma que a Abinee quer projetar o próximo ano. Tudo que Barbato não quer é criar novas expectativas positivas e ter mais uma frustração na apresentação de resultados de 2017. “As perspectivas não são das melhores. Se tudo correr bem, a projeção é de não encolher ainda mais”, aponta.

Não encolher mais, para a Abinee, significa a previsão de crescimento de 1% no faturamento. Os cálculos são baseados na média das expectavas passadas pelos empresários do setor, que, segundo a Abinee, tem sido números precisos nos últimos estudos. “Por melhor que possam ser as expectativas, é difícil fazer previsão com esse cenário instável”, pondera.

Apesar de conter as expectativas, Barbato mostra confiança no atual governo, em busca de rápidas mudanças para que o Brasil possa voltar a ser interessante para investimentos. Mudanças que passam pela queda da taxa de juros, por exemplo. “Precisamos de retomada rápida e coragem para isso. Temos esperança nesse governo, que tem apoio do Congresso, mas estou segurando minhas expectativas - essa é o sentimento da maioria da indústria no momento”, conclui.

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