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Simulação realista: inteligência e tecnologia

Os dois conceitos se unem para harmonizar a relação indústria e meio ambiente

Marcus Bittar*

08/05/2019 às 12h46

Foto: Shutterstock

Ao longo de nossa história, a evolução da indústria sempre esteve ligada à busca por soluções mais eficientes e seguras. Esse compromisso tem levado empresas dos mais diversos segmentos a procurarem novas soluções que as ajudem a tornar seus processos mais produtivos. Um caminho trilhado por essas organizações é a adoção de tecnologias preditivas que antecipam as características de comportamento, resistência e eficiência de cada um dos componentes presentes na construção de seus projetos, possibilitando o desenvolvimento de produtos otimizados que atendam aos requisitos propostos.

Para alcançar essa inteligência, as empresas estão usando a simulação realista, processo que unifica a análise de dados e ajuda a antever o comportamento dinâmico e a capacidade real de um determinado componente ou subconjunto para resistir aos esforços a que serão submetidos na condição de trabalho. Nesse processo, as organizações utilizam plataformas 3D para criar versões digitais de seus projetos, que permitem avaliar detalhes estruturais (principalmente não-lineares), características de desgaste e durabilidade e muitas outras variáveis a partir dos níveis de tensão/deformação calculados virtualmente.

Com a simulação realista as empresas podem projetar, monitorar e diagnosticar os impactos e efeitos da atuação do meio ambiente ao longo do tempo nos componentes de uma estrutura, obtendo informações para que os engenheiros otimizem seus planejamentos e avaliações com dados robustos e confiáveis.

Modernas plataformas podem gerar análises abrangentes, com projeções específicas sobre os mais diversos pontos e materiais envolvidos no processo. Com essas ferramentas, pode-se determinar, entre outras questões, quais são os materiais mais adequados e quais são os fatores a serem considerados para evitar ameaças ao andamento dos projetos.

É dessa forma, por exemplo, que a indústria automobilística consegue predizer qual é a vida útil de todas as peças do seu carro. Com a ajuda de um sistema inteligente, os engenheiros conseguem cruzar informações sobre as condições de desgaste dos materiais. Os dados sobre os níveis de esforços provocados durante o uso, como variação de temperatura e impacto, entre outros, permitem predizer a longevidade do componente. A partir dessa análise, as companhias podem identificar os padrões de durabilidade e eficiência desses itens e selecionar os materiais de melhor custo-benefício, otimizando drasticamente o investimento de tempo e recursos nos projetos.

O objetivo dessas soluções, portanto, é aproveitar o avanço da inteligência analítica para fornecer 'insights' mais precisos e adequados às organizações - no decorrer de todas as etapas de projeto e fabricação dos produtos. Os modelos virtuais mais modernos identificam quais são os riscos e as condições necessárias para garantir a máxima performance de um produto ou obra civil no mundo real.

A citação à indústria automobilística é apenas um dos inúmeros exemplos possíveis. A grande vantagem em se adotar processos analíticos de simulação realista é que essas plataformas podem ser usadas para melhorar o desempenho e a segurança em qualquer área industrial – inclusive fora das linhas de montagem. O uso dessas aplicações de simulação está crescendo, por exemplo, em mercados como o de mineração e de engenharia civil – além de já fazer parte efetivamente das maiores empresas aeroespaciais e automotivas.

As construtoras podem se valer dessas capacidades para avaliar qual é o nível de segurança de suas fundações e, ao mesmo tempo, predizer quais são os riscos aos quais a construção será exposta, checando as variáveis relacionadas ao solo e até simular a corrosão das estruturas em concreto e de ferragens ao longo dos anos. Esse tipo de avaliação é bastante pertinente, no caso do Brasil, ao notarmos que essa análise preditiva pode tornar as construções de infraestrutura e de ambientes públicos mais eficientes e econômicas.

O mesmo vale para as mineradoras na construção de túneis ou na formação de barragens. Com a adoção da simulação realista, essas companhias podem entender a relação do solo com seus rejeitos e antever o tempo e capacidade máxima dos lagos de contenção. No caso dos túneis, a análise preditiva simplifica a estratégia para a extração de materiais, indicando prováveis pontos de atenção.

Para todos esses casos, a simulação realista tem o potencial de permitir o desenvolvimento de projetos mais assertivos, com planos de ação preparados especificamente para cobrir as características reais do ambiente. Essa é uma forma de harmonizar a relação entre natureza e o projeto, entendendo os fatores a serem monitorados para manter as obras seguras e eficientes.

A alta competitividade global tem forçado as empresas a criar e entregar novos projetos cada vez mais rápido. É nesse cenário que a simulação realista está ajudando a ampliar a capacidade das equipes de engenharia, fornecendo as informações necessárias para antecipar tendências e solucionar possíveis lacunas de performance e resistência.

Nas linhas de produção ou nos canteiros de obra, as empresas têm muito a ganhar com a análise preditiva. As soluções existentes oferecem opções poderosas e completas para aprimorar a engenharia, abrangendo um vasto espectro de aplicações industriais que propiciam a evolução das companhias por meio da melhoria contínua.

O avanço da tecnologia está iniciando um renascimento da indústria e transformando o mundo que conhecemos para melhor. Cabe a nós sabermos aproveitar essa oportunidade para continuamos exercendo atividades empresariais com eficiência e segurança, consolidando uma relação cada vez mais harmoniosa com o meio ambiente.

*Marcus Bittar é consultor da Dassault Systèmes para a América Latina

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