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Startup que ajuda na recolocação de PCDs planeja internacionalização

Déborah Oliveira

15/09/2017 às 11h31

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Quando fez intercâmbio nos Estados Unidos, Guilherme Braga convivia com diversas pessoas com deficiência (PCD) em sua escola. Ao voltar para o Brasil, percebeu que a realidade era diferente. “Não via pessoas com deficiência no colégio e na faculdade. Fiquei com isso na cabeça”, comenta. Até que, motivado por um torneio de empreendedorismo na PUC Rio Grande do Sul (PUCRS), onde estudava, em 2007, surgiu a ideia da Egalitê.

A empresa, no entanto, ganhou força em 2010, com o objetivo de incentivar a empregabilidade de pessoas com deficiência, entendendo que essas pessoas podem gerar resultado igual ou superior a outras. “Não era uma visão assistencialista e, sim, de resultado. Entendemos que há lei de cotas, que obriga empresas com mais de cem funcionários a ter um número de talentos com deficiência em seu quadro, mas queríamos, desde o começo, mostrar que não se tratava de questão legal e, sim, de resultado”, conta Braga, CEO da Egalitê.

Em 2010, a startup passou a fazer parte da Raiar, ambiente de desenvolvimento de startups do Tecnopuc, o Parque Científico e Tecnológico da PUCRS, que estimula pesquisa e inovação articulando academia, instituições privadas e governo. Lé, ficou por quatro anos e já em 2013 a empresa começou a ganhar escala, com a abertura de um escritório em São Paulo.

No Tecnopuc, Braga conta que ele e seus sócios consumiram algum tempo entendendo como funcionava o mercado de atuação da Egalitê, seu modelo de negócios e estratégia de expansão. “Fizemos diversos testes até que chegamos ao modelo final que trabalhamos hoje”, comenta.

Na época, Braga relata que o time da Egalitê notou que existiam diversas iniciativas de inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Contudo, elas eram isoladas. “Conhecemos ONGs que faziam excelentes trabalhos, mas eram focadas em determinados tipos de deficiência ou com atuação mais regional”, lembra.

Foi no parque, ainda, que a Egalitê encontrou um ambiente favorável para fomentar o relacionamento com toda a cadeia de empreendedorismo. “Éramos uma empresa com conhecimento técnico grande na área de inclusão, mas com nível baixo de desenvolvimento de tecnologia. O parque nos ajudou a estruturar o desenvolvimento da empresa e hoje basicamente nos transformamos em um negócio tecnológico”, assinala.

Com atuação nacional, a Egalitê logo conquistou seus primeiros clientes (as empresas que buscam PCDs), tendo a tecnologia como diferencial. “Desenvolvemos uma tecnologia onde fazemos o mapeamento do perfil comportamental do candidato, ponto fundamental no processo de recrutamento. Entendemos a cultura da empresa e os anseios do candidato. Um algoritmo faz o cálculo e identifica qual é o profissional mais adequado à vaga”, detalha.

Apesar do uso da tecnologia, Braga lembra que para a startup, a tecnologia é meio. “Queremos usar a tecnologia para desencadear o potencial humano. Usamos a tecnologia, mas não perdemos a essência humana do processo de recrutamento e seleção.”

Até o momento, a Egalitê já incluiu mais de 4 mil pessoas com deficiência no mercado de trabalho em 16 estados do País. Seu banco de talentos conta, ainda, com mais de 40 mil pessoas. O serviço é gratuito para os candidatos, que podem cadastrar seus currículos e concorrer a vagas sem custo. Até o momento, mais de 300 empresas foram atendidas pela ferramenta.

No Brasil, estima-se que sejam 20 milhões de pessoas com deficiência com renda mensal familiar de até um salário mínimo. “Quando incluímos uma pessoa com deficiência, a renda passa a ser 120% maior do que um salário mínimo. Estamos falando de uma renda adicional de R$ 50 milhões ao ano para essas 4 mil pessoas incluídas. Estamos empoderando e aumentando a renda das pessoas”, comemora o empreendedor.

Internacionalização

No ano passado, a Egalitê ganhou o Ruderman Prize in Inclusion, que reconhece empresas que buscam a inclusão de pessoas com deficiência. O prêmio, segundo o empreendedor, deu visibilidade internacional para a empresa, a única brasileira da lista. “A banca julgadora ficou impressionada com a quantidade de pessoas em nossa base”, lembra ele.

Para se ter uma ideia, durante a gestão de Barack Obama, comentou Braga, o governo dos Estados Unidos começou uma iniciativa para construir uma base de dados de pessoas com deficiência e conseguiu reunir 35 mil pessoas.

Mais recentemente, em agosto deste ano, a Egalitê recebeu em São Francisco, na Califórnia (EUA), o troféu do Global Grand Challenges Award da Singularity University, entregue durante o evento Global Summit Singularity University.

No prêmio, disputado por empresas e empreendedores de diversos países, a empresa gaúcha foi considerada uma iniciativa de destaque para resolver um dos grandes problemas globais apontados pela premiação: a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Das 12 categorias do Global Grand Challenges Award da Singularity University, a Egalitê venceu na Prosperidade.

Com os destaques internacionais, a Egalitê viu uma oportunidade para iniciar sua jornada rumo à internacionalização. “Estamos no meio do processo. Vamos acelerar nosso crescimento no Brasil e levar nosso impacto positivo para os Estados Unidos”, finaliza Braga.

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