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Startups vieram para chacoalhar as grandes empresas, diz CIO da Porto Seguro

Henrique Medeiros

09/11/2016 às 20h06

Startups vieram para chacoalhar as grandes empresas
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O desenvolvimento das startups no cenário empresarial começa a mudar o comportamento das empresas. É o caso da Porto Seguro como explicou o seu CIO, Italo Flammia, nesta quarta-feira (09/11). Para ele, que abriu espaço para as novas empresas em 2015 por meio da aceleradora da seguradora - a Oxigênio - as startups causam reboliços aos negócios tradicionais. Mas seu principal impacto de mudança é o comportamento interno nas grandes.

“As startups trazem provocação constante nos modelos de negócios. Eu acho que isso nem é o grande impacto. Mas sim a mudança de comportamento interno”, disse Flammia. “Empresas têm ineficiência pelo tamanho, áreas, processos e incentivos. Para mim, só o fato de trazer uma startup para dentro da empresa já contamina para o bem, para mudanças positivas."

O discurso foi enfatizado pelo fundador da AgendaPet, André Fossa, que teve experiência como gestor em empresas de telecomunicações antes de formar sua startup de marketplace para pets. Em sua posição, ele disse que empresas com os novos formatos de negócios colocam uma grande sombra aos modelos tradicionais.

“O grande benefício é criar essa sombra, as empresas têm de se mexer. Eu passei por Telcos e falo com propriedade: o empreendedor se incomodou e mudou. A grande empresa não”, disse o executivo. “Isso que é o papel que os empreendedores fazem, eles gostam de desafiar.”

Resistência ao novo
Flammia ressaltou que existe resistência das grandes empresas às startups, algo que encontrou na própria empresa quando apresentou pela primeira vez o conceito de open innovation em 2009. O projeto não foi aceito, mas ele não desistiu e em 2015 ganhou abertura para o processo que hoje possui a Oxigênio como sua ponta-de-lança. 

Atualmente em seu segundo ciclo de startups, a empresa atua oferecendo mentoria e suporte para sete startups avaliado em US$ 150 mil, com estágio no Vale do Silício. Para o próximo ciclo, que tem inscrições com término hoje, serão selecionadas entre sete e dez empresas iniciantes.

Uma dessas firmas que passou pela aceleração da Porto Seguro é a Nexoos, startup que atua como ecossistema para pessoas financiarem empresas. De acordo com seu CTO e sócio, Murilo Bássora, a experiência ao lado de uma grande empresa trouxe a mudança necessária para seu negócio crescer, com algumas provocações durante o processo.

“Foi muito natural mudar algumas partes do modelo. Essa questão é muito comum neste mundo que busca construir, medir e apreender”, disse Bássora, que atuou como palestrante no último dia do IT Forum Expo. “O pessoal da Porto faz isso muito bem ao cutucar as startups. Uma startup que não muda, não é cabível dizer que é uma startup."

“Isso que aconteceu com o Murilo (Bássora), não existe nas grandes empresas. Elas não podem errar. Esse é o benefício da startup, ela não tem muito o que perder. Eu acredito que essa simbiose da “empresa + startup” vai ser importante para o futuro. Vai ser interessante criar um grande ecossistema, com as startups inovando e as empresas dando a robustez aos negócios”, completou o CIO da Porto Seguro.

Cópia x Inovação
O painel de startups ainda teve contrapontos sobre os papeis de inovação em preposição àquelas que copiam modelos de fora. Fossa defendeu que as startups devem atuar de maneira inovadora. Para o CEO da Agenda Pet, as empresas que copiam o modelo de fora prejudicaram o ecossistema no começo deste cenário.  

“Os momentos de inovações e startup começaram em 2010. Não era o ideal, tinha muitas cópias e o próprio ecossistema incentivava isso”, lembrou o empreendedor. “Isso criou uma cultura ruim. Nós perdemos o nosso DNA como País. Só agora começamos a ouvir falar de agro start. O empreendedor tem uma grande parcela de culpa. O cara fala em globalização, mas não sabe falar inglês."

Já Frederico Rizzo, fundador da plataforma de financiamento coletivo Brotta, rechaçou a ideia. Para ele, há espaço para adaptação de ideias, como no sistema financeiro. “Ainda existe muito inovação para fazer modelos de negócios funcionarem no Brasil”, disse. Contudo, ele criticou empresas ‘Copycats’, que copiam por completo uma ideia

Ainda assim, Flammia frisou que ainda há desafios para startups brasileiras, como a falta de apoio do governo e de incentivo de investidores. Para ele, mesmo diante dessas dificuldades o empreendedor brasileiro faz sua diferença.

“O empreendedor brasileiro é um mágico. O ambiente é muito hostil. Tem pouco estimulo. Nos EUA e Israel, o estudante é ensinado a sair da escola com uma empresa. As empresas nacionais e o governo incentivam pouco. Hoje, 80% das startups começam com dinheiro próprio. É um cenário hostil. Mesmo assim, nós temos perto de 15 mil startups no Brasil."

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