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Transformação digital ainda é desafio para empresas

Guilherme Borini

06/10/2016 às 15h57

Transformação digital ainda é desafio para empresas
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A transformação digital já se tornou um termo familiar, mas ainda é enorme desafio para ser compreendida por empresas em todo o mundo. Estudo divulgado pela Dell Technologies, realizado com 4 mil líderes de negócios em 16 países, incluindo o Brasil, mostra que 52% dos executivos têm percebido alterações significativas em seus setores nos últimos três anos e 45% acreditam que existe a possibilidade de suas empresas estarem obsoletas nos próximos três a cinco anos.

O estudo, chamado Digital Business Research Index, foi realizado pela Vanson Bourne, que ouviu não somente executivos do setor de tecnologia, mas também de outras áreas estratégicas, como finanças, vendas, marketing, e produção dos mais variados setores como automotivo, mídia, saúde e telecomunicações.

O objetivo da pesquisa, de acordo com a Dell Technologies, é entender de que formaempresas estão lidando com o desafio digital e o ponto de vista de cada uma delas, além do grau de adesão às inovações e adaptação ao novo cenário. "Temos percebido que cada executivo tem uma percepção diferente da transformação digital. Em uma reunião com oito presidentes de empresas, por exemplo, tivemos cinco opiniões diferentes sobre o tema", assinalou Carlos Cunha, presidente da EMC, que apresentou a pesquisa em primeira mão a jornalistas, juntamente com Luis Gonçalves, líder da Dell Technologies no Brasil. Recentemente a EMC comprou a Dell, em negócio de US$ 67 bilhões.

A pesquisa mostra pressão intensa sobre as empresas para se tornarem digitais, que que vem de diversos lados, como concorrentes (46%), clientes (56%), executivos (41%), e líderes funcionais - exceto TI - (39%).

"Não está claro para empresas de onde vem a concorrência. Antigamente, companhias focavam em cerca de cinco concorrentes, sabia onde estavam e tudo que acontecia à sua volta, mas hoje não sabemos de onde vem. Quem imaginava que taxistas teriam um concorrente como Uber, ou hotéis o Airnb? É preciso estar ainda mais atento. E, se a empresa não estiver totalmente no mundo digital, não conseguirá acompanhar com agilidade", comentou Cunha.

Seguindo o exemplo citado por ele, o avanço de startups digitais é fator que preocupa 78% dos entrevistados. Gonçalves destaca que o fato de uma empresa estar preparada para a era digital não garante estar apta para os desafios do futuro próximo. "Há enorme avanço de startups com ideias disruptivas. A Apple foi pioneira na música com o iTunes e concorria apenas com Amazon. Hoje, temos Deezer e Spotify cada vez mais presentes, com negócios inovadores. Ter uma empresa preparada para o mundo digital não quer dizer que o problema acabou. É preciso inovar a todo momento. A jornada não tem fim", afimou Gonçalves.

Se a transformação já ameaça empresas bem posicionadas no quesito inovação, torna-se ainda mais temida para companhias despreparadas. E elas, de fato, existem. Apenas pequena minoria está perto de concluir sua transformação - um a cada três empresários pesquisados está executando os atributos críticos digitais de negócios adequadamente. Embora apenas parte de muitas empresas esteja pensando e agindo digitalmente, a ampla maioria (73%) admite que a transformação digital poderia ser mais difundida em toda a organização.

Muitas barreiras estão impedindo o progresso, de acordo com os entrevistados: falta de orçamento e recursos (33%); falta de expertise e de habilidades internas (31%); preocupação com segurança e privacidade dos dados (29%) ; falta de patrocínio e apoio da diretoria (29%); e falta de tecnologias adequadas para trabalhar na velocidade dos negócios (29%).

Gonçalves interpreta a questão de habilidades internas como mudança no papel do profissional de TI. "Há 30 anos, o programador tinha um papel técnico. Hoje, ele precisa fazer isso e ter conhecimento do negócio. Ele tinha papel de apoio à empresa, mas não integrado ao negócio. Isso pode explicar falta de expertise e habilidade interna", disse.

Quanto aos investimentos, o executivo acredita que, para driblar essa barreira, é preciso habilidade por parte dos líderes de TI, como definir qual setor precisa de investimento no momento em determinado momento.

Empresas brasileiras estão otimistas
Em termos de maturidade, mercados que sempre tiveram características mais ligadas a inovações, como tecnologia, telecomunicações e mídia e entretenimento ficam à frente de outros, como saúde, seguras e varejo. Na questão de maturidade, o que impressiona é a divisão por países. O Brasil aparece na segunda posição, atrás apenas da Índia e à frente de potências como EUA, Alemanha e Japão.

Carlos classifica esse fato por dois motivos principais. O primeiro deles por conta do perfil do cliente brasileiro, um País que gasta muio tempo na mídia social, por exemplo - 60% acima de média mundial. "O segundo ponto é a questão de tecnologia, já que o Brasil tem realizado altos investimentos no setor."

Já Gonçalves lembrou que, por ser pesquisa quantitativa, as respostas podem apresentar diferentes percepções. Por exemplo, latinos costuma ser mais otimistas - fato que poderia contribuir para Brasil e México estarem nas segunda e terceira posição. Mas não tira os méritos do Brasil, citando o setor de finanças, em que o País é líder em eficácia tecnológica e reconhecido mundialmente pela inovação.

Confira os principais resultados da pesquisa para o Brasil, comparado com os números globais:
- 37% não sabem como estará seu setor dentro de três anos (Global: 48%);

- 38% admitem que podem se tornar obsoletos no período de três a cinco anos (Global: 45%);

- 68% dizem que os clientes estão impulsionando as empresas a se tornarem mais digitais. (Global: 56%);

- 61% dizem estar amplamente concentrados no envolvimento e na satisfação do cliente (Global: 47%);

- 45% proporcionam uma experiência geral mais personalizada: (Global: 35%);

- 48% proporcionam maior nível de segurança(Global: 39%);

- 50% colaboram e compartilham com outros clientes de modo mais fácil: (Global: 36%);

- 63% usam tecnologias digitais para agilizar novos produtos/serviços: (Global: 51%);

- 51% colocaram tecnologias móveis e mídias sociais no centro de seus negócios (Global: 37%);

- 73% declaram ter adotado integralmente uma forma digital de trabalho para concorrer com as novas empresas digitais (Global: 66%).

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