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Por que aumentar produção e emissão de moedas é um mau negócio?

Consultor explica importância de realizar campanhas para retornar o dinheiro

Recentemente, o Banco Central criou uma campanha para arrecadar as moedas que estão entesouradas no País. Segundo dados do órgão, são quase 9 bilhões de moedas guardadas em cofrinhos, o que equivale a cerca de R$ 1,4 bilhão fora de circulação. Mesmo com o aumento na produção de novas moedas nos últimos anos – foram cunhadas 761 milhões de unidades em 2016, um volume consideravelmente superior às 685 milhões fabricadas em 2015 – o varejo continua sentindo o problema da falta do dinheiro de metal em circulação.

Na avaliação do consultor André Salvador, além de não resolver o problema de entesouramento, o aumento na fabricação de moedas gera prejuízo aos cofres públicos: “se calcularmos o número de unidades criadas e o valor gasto, a cada R$0,39 de moedas cunhadas, o governo gastou R$0,32 para a emissão – um inacreditável custo de 80,9% da receita, deixando uma margem bruta de apenas 19,1% para a sociedade”.

Nas contas do consultor, o custo pode ser ainda maior, considerando que em média, 35% das moedas produzidas neste ano vão sair de circulação e ficar guardadas em cofrinhos ou esquecidas pela população. Com isso, o custo por unidade seria de R$ 0,56. “Ou seja, cada moeda cunhada pelo Banco Central trará um prejuízo de R$ 0,17 para a sociedade – ou 44% do valor de face de cada moedinha em média. Portanto, emitir e distribuir moedas é e continuará sendo mau negócio para o Banco Central e para o Brasil”, explica.

Soluções duradouras

A campanha do Banco Central, divulgada no final de agosto, será veiculada durante o mês de setembro exclusivamente nas redes sociais por meio da promoção do vídeo institucional. Para Salvador, isso não é o suficiente para mudar a cultura do brasileiro em relação às moedas: “precisamos de soluções duradouras que realmente impactem no consumidor e no varejo”.

Entre as alternativas está o equipamento CataMoeda. Criado em 2013 pela startup catarinense Cata Company, a tecnologia busca resolver esse problema para o comércio brasileiro, oferecendo uma máquina que troca moedas por benefícios como vale-compras, cédulas, recargas de celulares e doações. Em quatro anos de operação, foram captadas mais de 180 milhões de moedas, totalizando R$ 61 milhões. A máquina já está presente em mais de 400 estabelecimentos, em 22 estados brasileiros e até no exterior. As moedas colocadas em circulação a partir da tecnologia representam 2% de todas as moedas entesouradas no país.

Segundo o Diretor Comercial da Cata Company, Flávio Freitas, a empresa vai aumentar, ainda em 2017, a oferta de serviços no equipamento CataMoeda. O equipamento trará mais opções para incentivar a circulação e aumentar a circulação das moedas, atendendo também a necessidade dos estabelecimentos comerciais. “As pessoas têm as moedas, o que queremos fazer é inovar constantemente o incentivo para que elas passem a tirar esse dinheiro dos cofrinhos.”

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