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WhatsApp não tem planos de contar com times locais no curto prazo

Déborah Oliveira

31/05/2017 às 13h53

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O WhatsApp realizou hoje (31/5), em São Paulo, um workshop para jornalistas para explicar como funciona a criptografia fim a fim do aplicativo, além de ressaltar a importância do recurso, que, segundo a companhia, busca garantir segurança para os usuários do serviço de comunicação.

Em conversa com os jornalistas, Mark Kahn, responsável pela área jurídica do aplicativo, afirmou que o Brasil é importante para o WhatsApp, mas a empresa, que soma mais de 120 milhões de usuários em solo nacional, não tem planos de estabelecer uma entidade por aqui, pelo menos por enquanto. “Estamos explorando como vamos operar e seguir em frente", contou.

O estabelecimento de representação local é, inclusive, alvo de discussão entre o governo e o WhatsApp, depois dos sucessivos bloqueios do app por aqui. O Marco Civil da Internet diz que empresas estabelecidas no Brasil, diante de solicitações judiciais, devem fornecer “informações que permitam a verificação quanto ao cumprimento da legislação brasileira referente à coleta, à guarda, ao armazenamento ou ao tratamento de dados, bem como quanto ao respeito à privacidade e ao sigilo de comunicações”.

O WhatsApp, por sua vez, afirma que não tem representantes e equipes por aqui, apesar de fazer parte do Facebook, que conta com um escritório em São Paulo. “A legislação brasileira não diz que a criptografia é ilegal”, acrescentou.
O WhatsApp, contudo, está aberto para conversar com o governo e entender como pode atender às demandas locais. Nesta sexta-feira (2/6), o Supremo Tribunal Federal (STF ) realizará audiência pública para discutir a possibilidade de a Justiça impedir o funcionamento do serviço no Brasil. “Vamos falar com o governo para entender como suportá-lo. Cooperamos da forma que podemos. Nossas mensagens são encriptadas e não temos dados em nossos servidores”, reforçou Kahn.

Mas, afinal, quais dados o WhatsApp tem? Kahn explicou que a companhia reúne poucas informações dos usuários, que só precisam ter um número de telefone para se registar no serviço. “Não temos e-mail, não temos geolocalização”, explicou, acrescentando que em casos de sequestros, terrorismo ou outras emergências que ameaçam à vida, o WhatsApp pode verificar e notificar a polícia informando se o criminoso está on-line, informação que pode ser usada por empresas de telecom. “O WhatsApp foi desenhado para ser um serviço seguro e vamos coletar o mínimo mesmo”, assegurou ele.

Sobre o uso de back doors, utilizado por diversos malwares para garantir acesso remoto ao sistema ou à rede infectada, Kahn garantiu que o WhatsApp não conta com o recurso, nem mesmo para o governo dos Estados Unidos.

Ferramenta para negócios
Muitas empresas já têm usado o WhatsApp para atendimento a clientes, mas o WhatsApp ainda não tem uma resposta sobre como poderá ser feito forma massificada. Segundo Ehren Kret, gerente de desenvolvimento de software do WhatsApp, a companhia está tentando descobrir esse caminho. "Não temos planos para agora para integrar bots ao nosso sistema, mas estamos trabalhando com pequenos e médios negócios para entender o caminho", afirmou.

Criptografia
Lançado em abril de 2016, a criptografia de ponta a ponta foi a concretização de um desejo de seu fundador, Jan Koum. O recurso foi liberado aos poucos para os usuários e pelos cálculos de Kret em outubro de 2016 o app cobriu 100% de seus clientes. Ele lembrou, no entanto, que o app tem um sistema que obriga usuários a atualizar a criptografia a cada seis meses.

O executivo destacou que para a criptografia o aplicativo usa o protocolo Signal, desenvolvido pela Open Whisper Systems, considerado o mais seguro para sistemas de comunicação. “Nos últimos anos, vimos o crescimento de ataque hackers e nós atuamos para proteger nossos clientes. Nossa segurança tem de pensar nos desafios digitais e estar sempre um passo à frente”, afirmou.

Kret contou que em pesquisa recente feita pela empresa em parceria com o Instituto Datafolha, identificou-se que 94% dos usuários brasileiros do app consideram o recurso de criptografia importante, 57% acreditam que o comunicador é o mais seguro para trocar de informações sensíveis e 71% usam o app para enviar mensagens pessoais e confidenciais.

Segundo ele, a criptografia fim a fim possibilita a mesma segurança de uma conversa entre duas pessoas presencialmente, sem que se tenha recursos como câmeras e gravadores. “Ninguém tem acesso às suas conversas, nem mesmo o WhatsApp”, garantiu.

De acordo com ele, ainda, levaria milhões de anos para descriptografar uma das mensagens, já que o número de possíveis combinações é gigantesco. “As mensagens entram no servidor encriptadas. Geramos uma chave privada para cada usuário, no celular, e ninguém tem acesso a ela”, garantiu. Dessa forma, as mensagens, os áudios e as fotos são lidos pelos servidores da empresa como números.

Uma vez que a mensagem é entregue, não há como rastreá-la. “O servidor não mantém logs de quem manda mensagem para quem”, assegurou Kret. Kahn, no entanto, disse que quando a mensagem não é entregue por algum problema de sinal aí sim é possível ter acesso a ela por um prazo de 30 dias, mas ainda assim ela estará encriptada.

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